TSE avalia limitar uso de vídeos e áudios em questionários de pesquisas eleitorais para garantir imparcialidade
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) está em meio a discussões sobre a regulamentação de pesquisas eleitorais, com uma proposta em pauta que visa restringir a inclusão de áudios e vídeos nos questionários aplicados pelos institutos. A justificativa principal para essa medida é a preocupação com a potencial manipulação das respostas dos eleitores, que poderia ser facilitada pelo uso desses recursos audiovisuais.
A corte, no entanto, não tem pressa para finalizar o julgamento do tema, com a decisão prevista para ser adiada, pelo menos, para agosto, mês que marca o início oficial da propaganda eleitoral nas ruas e na internet. O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, após censurar uma pesquisa Atlas/Bloomberg no início de junho, indicou a intenção de dialogar com os institutos, mas as reuniões ainda não foram agendadas.
A dificuldade em encontrar datas comuns para todos os envolvidos participarem das audiências tem sido um obstáculo. A expectativa é que o magistrado conte com o apoio da maioria do plenário para aprovar as regulamentações que forem definidas. Conforme informações divulgadas, a Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) já se manifestou contra a censura à pesquisa da Atlas/Bloomberg, defendendo a autonomia metodológica dos institutos e a ausência de restrições legais quanto à ordem ou conteúdo das perguntas.
Preocupações com Indução de Respostas
Durante a sessão que iniciou o debate sobre o tema, o ministro Dias Toffoli expressou preocupação com a possibilidade de materiais audiovisuais induzirem os eleitores. Ele questionou os limites entre o que constitui induzimento e o que não é, ressaltando a necessidade de que esses limites não sejam subjetivos ou tendenciosos. A análise se torna fundamental para definir se a apresentação de vídeos ou áudios antes das respostas é permitida em pesquisas eleitorais.
Os ministros André Mendonça e Floriano de Azevedo Marques também contribuíram para a discussão, defendendo a criação de um regramento claro para o processo eleitoral que inclua os institutos de pesquisa nesse debate. Até o momento, as medidas contrárias à publicação de pesquisas se baseiam em critérios como a ausência de registro na Justiça Eleitoral, número insuficiente de entrevistados ou a falta de entrega prévia do questionário.
O Caso Atlas/Bloomberg e a Reação do Mercado
A censura à pesquisa Atlas/Bloomberg, que mostrou uma queda nas intenções de voto de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), atendeu a um pedido do PL. O partido reclamou da inclusão de um áudio referente ao caso “Dark Horse”, onde Flávio Bolsonaro cobrava dinheiro para o financiamento de um filme sobre seu pai. A AtlasIntel, no entanto, esclareceu que o áudio não foi reproduzido durante a coleta das intenções de voto, mas sim em uma etapa posterior, sem a possibilidade de retorno às perguntas ou alteração das respostas.
Apesar da polêmica, parte dos ministros do TSE entende que a presença de áudios e vídeos em pesquisas não é, por si só, um problema. Uma abordagem mais flexível poderia envolver a exigência do registro da transcrição desses materiais, além de outros detalhes no momento da formalização dos levantamentos. Outra ala do tribunal sugere a apresentação de laudos técnicos por especialistas para avaliar a possibilidade de manipulação.
Posicionamentos e o Futuro das Pesquisas Eleitorais
A possibilidade de o TSE impor restrições gerou preocupação entre representantes de institutos de pesquisa, que pediram sigilo. A decisão de Kassio Nunes Marques sobre a pesquisa Atlas/Bloomberg foi criticada por diversos espectros políticos, incluindo figuras da direita. O fundador e CEO da AtlasIntel, Andrei Roman, alertou que limitar o trabalho dos institutos pode levar a uma menor informação pública sobre o cenário social e político.
O julgamento no TSE está paralisado por um pedido de vista da ministra Estela Aranha, que pretende dialogar com os institutos antes de devolver o caso ao plenário. O presidente Kassio Nunes Marques busca construir um consenso com os demais ministros para mitigar o desgaste causado pela decisão provisória, buscando um equilíbrio entre a regulamentação e a autonomia dos institutos de pesquisa.

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