Trump minimiza preocupação após atentado em jantar de correspondentes da Casa Branca

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou em entrevista que não sentiu preocupação ao ser retirado às pressas de um jantar de correspondentes da Casa Branca, após um atirador abrir fogo nas proximidades do evento. A declaração ocorre um dia após o incidente em um hotel de Washington.

“Eu não estava preocupado. Eu entendo como é a vida. Vivemos em um mundo louco”, disse Trump no domingo (26/4) em entrevista ao programa 60 Minutes da CBS News. A segurança presidencial agiu rapidamente para proteger o presidente e outros altos funcionários presentes.

As autoridades identificaram Cole Tomas Allen, de 31 anos, como o suspeito, preso após o tiroteio. O FBI está investigando o caso, com indícios preliminares sugerindo que o ataque visava membros do alto escalão do governo Trump. Conforme informações divulgadas pelo procurador-geral interino dos EUA, Todd Blanche, escritos atribuídos ao suspeito indicam a intenção de atacar funcionários do governo.

Atirador e Motivação Sob Investigação do FBI

Cole Tomas Allen, de 31 anos, foi detido pela polícia após disparar tiros perto de um posto de segurança no hotel onde ocorria o jantar. O FBI lidera a investigação, com a força-tarefa de investigação criminal e antiterrorismo empenhada em desvendar a motivação por trás do ataque. O procurador-geral interino, Todd Blanche, indicou que, com base em descobertas preliminares, o suspeito “provavelmente” tinha como alvo figuras de alto escalão da Casa Branca.

Um documento, que a CBS News afirma ter tido acesso e que outros veículos americanos também noticiaram, sugere que o atirador desejava atingir membros do governo Trump, “do mais alto ao mais baixo escalão”. Embora convidados e funcionários do hotel não fossem os alvos primários, o manifesto indicaria que eles seriam atacados caso fosse necessário para alcançar os alvos principais.

O irmão do suspeito teria contatado a polícia em Connecticut após receber o texto, levando à notificação imediata das autoridades federais. A polícia de New London, Connecticut, confirmou o contato poucas horas após o tiroteio. A BBC News não verificou de forma independente o suposto manifesto.

Trump Reafirma Segurança e Critica Mídia

Apesar da rápida ação da segurança, Trump, em entrevista após o incidente, declarou que “não consegue imaginar que exista alguma profissão mais perigosa”. Em comunicado divulgado no domingo, a Casa Branca afirmou que Trump “segue sem medo” após sobreviver à “tentativa de assassinato com disparo de tiros”.

Durante a entrevista ao 60 Minutes, Trump demonstrou irritação com a jornalista Norah O’Donnell ao ser questionado sobre o conteúdo de escritos ligados ao suspeito, que continham referências negativas sem nomear indivíduos. Trump pediu que a jornalista “tivesse vergonha de si mesma por ler isso, porque eu não sou nenhuma dessas coisas”.

O presidente elogiou a equipe de segurança, relatando que os agentes pediram que ele se protegesse e “por favor, deitasse no chão”. Um policial ferido durante a troca de tiros recebeu alta hospitalar, com seu colete à prova de balas sendo creditado por evitar uma tragédia maior, segundo o chefe de comunicações do Serviço Secreto, Anthony Guglielmi.

Detalhes do Ataque e Repercussão Internacional

O tiroteio ocorreu por volta das 20h35 do sábado (25/4) no saguão do hotel Washington Hilton, enquanto o jantar dos correspondentes da Casa Branca acontecia em um andar inferior. Trump, a primeira-dama Melania Trump e o vice-presidente foram retirados às pressas. Um vídeo de agentes do Serviço Secreto retirando o vice-presidente J.D. Vance circulou nas redes sociais, gerando questionamentos sobre o momento da evacuação.

Cole Tomas Allen, descrito no LinkedIn como engenheiro mecânico e desenvolvedor de jogos, é de Torrance, Califórnia. Ele será formalmente acusado em um tribunal federal nesta segunda-feira (27/4) por agressão a um agente federal e uso de arma de fogo durante um crime violento. Autoridades relataram que o suspeito portava duas armas de fogo e facas.

O incidente gerou condenações de líderes mundiais, incluindo o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, que expressou solidariedade a Trump e repudiou a violência política. O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, e líderes do Canadá e Austrália também condenaram o ataque, enfatizando a importância de rejeitar a violência e proteger as instituições democráticas e a liberdade de imprensa.