Trump e Netanyahu incitam queda do regime iraniano, mas enfrentam riscos políticos em ano eleitoral
Em uma ação coordenada, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, anunciaram um objetivo que vai além da contenção nuclear do Irã: a derrubada do regime teocrático. A operação militar, batizada de ‘Fúria Épica’ pelos EUA e ‘Rugido do Leão’ por Israel, visa não apenas alvos nucleares, mas também a cúpula do governo iraniano, no poder desde 1979.
As declarações de ambos os líderes foram claras. Trump conclamou os iranianos a assumirem o controle do país, afirmando que os EUA criarão as condições para que o povo se liberte do regime. Netanyahu ecoou o sentimento, falando em libertar os iranianos do ‘jugo deste regime assassino’.
No entanto, essa ousada estratégia militar, especialmente se prolongada, impõe sérios riscos políticos para ambos os líderes, que se encontram em anos eleitorais cruciais. Os Estados Unidos renovarão o Congresso, o que pode afetar o controle de Trump sobre o Legislativo. Já Israel elegerá novos membros do Parlamento, com a permanência de Netanyahu no cargo em jogo. Conforme informações divulgadas, a aposta de Trump em um segundo ataque ao Irã em oito meses contraria sua plataforma de campanha e conta com pouco apoio popular nos EUA, com apenas 27% aprovando a ação, segundo pesquisa The Economist/YouGov.
Netanyahu: Sobrevivência política em jogo
Benjamin Netanyahu, que já enfrenta três processos por corrupção, possui um histórico de habilidade para se manter no poder. A defesa contra a ameaça iraniana é uma estratégia recorrente que pode lhe render dividendos políticos, reforçando sua imagem de líder forte e protetor de Israel.
A questão é se essa postura mais agressiva será suficiente para garantir seu lugar em meio a um cenário eleitoral complexo. A capacidade de retaliação do Irã, com possíveis ataques a Israel e bases americanas na região, será um fator determinante nas consequências políticas desta nova empreitada para ambos os líderes.
Trump e a impopularidade de um novo conflito
Para Donald Trump, a aposta é ainda mais arriscada. A decisão de lançar um novo ataque ao Irã, contrariando promessas de campanha e com escasso apoio popular, pode ter um impacto negativo em sua imagem e nas eleições de meio de mandato. A maioria dos americanos, segundo a pesquisa citada, não compreende as razões para o envolvimento dos EUA em mais um conflito no Oriente Médio.
Em seu pronunciamento, Trump admitiu que a operação militar pode resultar em baixas americanas, um contraste com o ataque anterior. A duração do conflito e a perda de vidas são fatores que certamente pesarão na opinião pública, podendo minar o apoio ao presidente.
Riscos de prolongamento e capacidade de retaliação iraniana
Autoridades do Pentágono já alertaram o presidente Trump sobre a possibilidade de uma campanha prolongada sobrecarregar os estoques militares dos EUA. A capacidade de retaliação do Irã será crucial para definir o desfecho dessa nova fase de tensões na região.
A forma como o Irã reagirá, seja com ataques diretos a Israel ou a bases americanas, guiará as consequências políticas para Trump e Netanyahu. A extensão da campanha militar e a gestão da opinião pública serão desafios centrais para ambos os líderes em seus respectivos anos eleitorais.