Dólar atinge maior valor desde janeiro em meio à tensão no Irã, e Bolsa brasileira sente o impacto

A escalada do conflito no Oriente Médio gerou um clima de forte nervosismo nos mercados financeiros globais nesta sexta-feira (13). Como reflexo direto da **aumentada aversão ao risco**, o dólar encerrou o dia negociado a R$ 5,32, marcando o **maior valor desde janeiro**. A moeda norte-americana apresentou alta de 1,41%.

O movimento de busca por ativos considerados mais seguros, como o dólar, foi intensificado pelas preocupações com o agravamento das tensões envolvendo o Irã e os ataques conduzidos por Israel. Declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prometendo intensificar ações militares contra o Irã, ampliaram o receio sobre um conflito mais duradouro e seus potenciais efeitos sobre os preços da energia.

Essa conjuntura global desfavorável também se refletiu no mercado acionário brasileiro. O Ibovespa, principal índice da bolsa, sofreu uma queda de 0,91%, fechando aos 177.653 pontos. Este patamar representa o menor nível desde 22 de janeiro, evidenciando a cautela dos investidores diante das incertezas geopolíticas. Conforme informação divulgada pelo G1, o valor de fechamento do dólar é o mais alto desde 21 de janeiro.

Dólar em alta: busca por segurança e impacto global

A valorização do dólar em R$ 5,316 ao final do pregão, com máxima de R$ 5,325, demonstra a força do movimento global de busca por segurança. O **Dollar Index (DXY)**, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de moedas fortes, superou a marca de 100 pontos pela primeira vez desde novembro de 2025, encerrando próximo de 100,5 pontos. Essa alta reflete não apenas a busca por proteção, mas também mudanças nas expectativas sobre a política monetária dos Estados Unidos.

Analistas apontam que a alta do petróleo e as incertezas inflacionárias têm levado investidores a reduzir as apostas em cortes de juros pelo Federal Reserve. Na semana, o dólar acumulou valorização de 1,38%, e em março, a moeda já sobe 3,55%. Apesar disso, no acumulado de 2026, o dólar ainda apresenta desvalorização de cerca de 3,15% frente ao real.

Mercado brasileiro sob pressão: Real e Bolsa em queda

No mercado cambial brasileiro, o real apresentou o pior desempenho entre as principais moedas emergentes. Houve saída relevante de recursos do país e compra de dólares por investidores que aproveitaram a cotação, após o forte desempenho da moeda brasileira nos primeiros meses do ano. O Banco Central realizou uma operação de venda de US$ 1 bilhão no mercado à vista e ofertou contratos de swap cambial reverso para tentar conter a volatilidade.

A bolsa de valores brasileira também sentiu o impacto. O Ibovespa caiu 0,91%, totalizando 177.653 pontos, o menor nível desde 22 de janeiro. Na semana, o índice acumulou um recuo de 0,95%. Mesmo com o desempenho recente negativo, o Ibovespa ainda registra valorização de 10,26% no acumulado de 2026, embora em março a baixa já chegue a 5,9%.

Incertezas geopolíticas impulsionam petróleo e cautela

O aumento das incertezas geopolíticas, com o risco de ampliação do conflito envolvendo o Irã, elevou a cautela entre investidores. As declarações de Donald Trump sobre a possibilidade de intensificar ataques contra o país aumentaram o receio, especialmente às vésperas do fim de semana, quando os mercados permanecem fechados. Essa tensão geopolítica também impulsionou o preço do petróleo.

O contrato do petróleo tipo Brent para maio avançou 2,67%, fechando a US$ 103,14 por barril, acumulando um ganho semanal de cerca de 11%. A commodity já sobe mais de 40% em março e aproximadamente 70% no ano, refletindo diretamente as preocupações com o fornecimento em meio a conflitos. A alta do **petróleo** e a busca por ativos seguros como o **dólar** moldam o cenário econômico atual.