Tarifaço de 25% dos EUA sobre o Brasil entra em vigor, impactando setores estratégicos e exportações brasileiras
Começou a valer nesta quarta-feira (22) a **tarifa adicional de 25%** imposta pelo governo dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Essa medida afeta diretamente **19% das exportações do Brasil para os EUA**, gerando preocupação em diversos setores da economia nacional.
As estimativas apontam que o valor total das exportações brasileiras atingidas pela nova tarifa pode variar entre **US$ 7,2 bilhões e US$ 11 bilhões**, segundo cálculos da Agência Brasileira de Promoção das Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) e da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil). A decisão americana baseia-se em alegações de práticas comerciais “desleais” por parte do Brasil.
O governo brasileiro contesta as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos, considerando-as de motivação política e desconectadas da realidade. Em resposta, o Brasil anunciou um plano de apoio aos setores afetados e busca a diversificação de seus mercados internacionais. As informações são baseadas em dados divulgados pela Apex-Brasil e pela Amcham Brasil.
Setores e estados mais afetados pela nova tarifa americana
Entre os **2,3 mil produtos incluídos na lista de taxação**, destacam-se aqueles dos setores de **eletroeletrônicos, máquinas e equipamentos, autopeças e calçados**. Apesar da extensão da lista, cerca de 700 produtos foram isentos da tarifa, um número maior do que o inicialmente previsto durante as negociações, conforme informações da Apex-Brasil.
O mercado estadunidense é um destino crucial para as exportações brasileiras de eletroeletrônicos, representando cerca de um quarto das vendas externas do setor de máquinas e equipamentos. Estados como **São Paulo e Santa Catarina concentram a maior parte do impacto**, com São Paulo respondendo por 41,6% do valor total das exportações afetadas. Santa Catarina, no entanto, enfrenta uma situação mais crítica, com **68% de suas exportações para os EUA atingidas** pela medida, de acordo com dados da Apex-Brasil.
Justificativas dos EUA e a resposta do Brasil
O Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) liderou o processo que resultou na imposição da tarifa, citando seis temas principais para justificar a taxação. Estes incluem **pagamentos eletrônicos (como o Pix) e a regulação de redes sociais, desmatamento ilegal, acesso ao mercado de etanol, combate à corrupção, proteção da propriedade intelectual e acordos preferenciais com México e Índia**.
O governo brasileiro, por meio do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, rejeita essas justificativas, argumentando que elas possuem um caráter político e não refletem a realidade das práticas comerciais brasileiras. Segundo Vieira, os negociadores americanos buscavam a abertura total de mercados sem apresentar contrapartidas adequadas.
Medidas de diversificação e apoio do governo brasileiro
Em resposta ao tarifaço, o governo brasileiro anunciou a retomada de um programa de apoio aos setores atingidos. Este programa incluirá **linhas de crédito para capital de giro e investimentos**, além de suporte para o escoamento de produtos para outros mercados. Há também a avaliação de flexibilizar temporariamente regras de isenção, suspensão ou restituição de tributos para insumos utilizados na produção de bens para exportação.
A Apex-Brasil planeja lançar, em agosto, um plano de **R$ 130 milhões destinado à diversificação das exportações brasileiras**. O foco principal será em mercados como a **União Europeia, países da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean)**, incluindo Indonésia, Malásia, Tailândia e Vietnã, além de nações da Ásia Central, como Cazaquistão e Uzbequistão. Essa estratégia visa reduzir a dependência do mercado americano e mitigar os efeitos do tarifaço.