STF impede novas leis de “penduricalhos” e reforça teto constitucional salarial

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), ampliou sua decisão anterior e agora proíbe a criação ou aplicação de novas leis que permitam o pagamento de salários ou verbas indenizatórias acima do teto constitucional. A medida visa evitar o que são popularmente conhecidos como “penduricalhos”.

A decisão, divulgada nesta quinta-feira (19), considera que é preciso evitar “inovações fáticas ou jurídicas” que possam “embaraçar” as deliberações do STF sobre o tema. Dino reforçou que qualquer reconhecimento de novas parcelas relativas a direitos pretéritos, que não as já pagas antes da liminar inicial, está proibido.

A medida segue o andamento de um prazo de 60 dias para que todos os órgãos da administração pública, em todas as esferas, publiquem detalhadamente as verbas remuneratórias e indenizatórias que pagam, com a devida fundamentação legal. Essa transparência é crucial para o controle dos gastos públicos.

Regulamentação de Verbas Indenizatórias e o Papel do Congresso

O ministro Flávio Dino também abordou a emenda constitucional de 2024, que estabelece que apenas verbas indenizatórias com lei de caráter nacional estariam fora do teto. Contudo, ele observou que, mais de um ano após a promulgação da emenda, o Congresso Nacional ainda não realizou a devida regulamentação.

Dino ressaltou que “caberá exclusivamente ao STF examinar a fixação de regime transitório, caso o Congresso Nacional não cumpra o seu dever de legislar e mantenha a omissão institucional”. Ele renovou o apelo para que o legislador cumpra sua função.

Supersalários no Serviço Público e o Teto Constitucional

A liminar de Dino, que suspendeu os “penduricalhos” em 5 de fevereiro, será julgada pelo plenário do STF na próxima quarta-feira (25). A expectativa é de que a decisão seja referendada pelos demais ministros, consolidando a posição do Supremo sobre o tema.

Relatos recentes, como os divulgados pela Folha, indicam que servidores públicos com os maiores salários no Brasil chegaram a receber até R$ 3,1 milhões em um ano, uma média impressionante de R$ 263 mil mensais. O maior contracheque registrado foi no Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ).

Carreiras Jurídicas e a Busca por Remunerações Elevadas

Carreiras como as da magistratura e do Ministério Público frequentemente atingem o teto constitucional rapidamente devido aos altos salários de entrada. Essa situação leva à busca por estratégias para aumentar a remuneração, muitas vezes por meio de verbas indenizatórias ou benefícios criados pela autonomia administrativa e orçamentária dos órgãos.

A especialista Fernanda de Melo, da Repórter.org, organização voltada à gestão de pessoas no serviço público, aponta que é nesses órgãos que se concentram os maiores supersalários. A decisão de Dino visa, portanto, coibir essas práticas e garantir o cumprimento do teto constitucional para todos os servidores públicos.