STF mantém prisão de ex-secretária da Aleam investigada no núcleo político do CV no Amazonas

A Justiça negou mais um pedido de liberdade para a advogada Adriana Almeida Lima, presa na operação que apura a atuação do chamado “núcleo político” do Comando Vermelho no Amazonas. Ela foi ex-secretária de gabinete de liderança na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) e está entre os investigados.

Segundo as investigações, o grupo é suspeito de ajudar a organização criminosa a movimentar dinheiro e facilitar a logística do tráfico de drogas. A operação, que levou às prisões, foi deflagrada em fevereiro e cumpriu mandados em outros estados, com nove foragidos.

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), rejeitou o habeas corpus, mantendo a prisão preventiva da advogada. A defesa recorreu ao STF após o Superior Tribunal de Justiça (STJ) também negar a soltura. Conforme informação divulgada pela imprensa, os advogados alegaram falta de requisitos para a prisão preventiva.

Decisão do STF e Argumentos da Defesa

Ao analisar o caso, Alexandre de Moraes entendeu que o STF não poderia julgar o pedido neste momento, pois as instâncias anteriores ainda não haviam esgotado suas análises. Por essa razão, o ministro decidiu não conceder o habeas corpus, mantendo a decisão que negou a liberdade da investigada. A defesa argumentou que não havia fundamento para manter a prisão preventiva e pediu sua revogação.

Operação Erga Omnes e Evidências da Investigação

A Operação Erga Omnes foi deflagrada em 20 de fevereiro, com o cumprimento de mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão no Amazonas e em outros estados. A ação resultou na prisão de investigados e na apreensão de carros de luxo, dinheiro em espécie e documentos. Nove suspeitos, incluindo o apontado como líder do grupo, seguem foragidos.

A prisão de Adriana Almeida Lima baseou-se em indícios de participação em crimes e em provas coletadas durante a investigação. Entre os elementos citados estão a apreensão de 523 tabletes de skunk e sete fuzis, que deram origem às investigações. Relatórios de inteligência financeira apontam uma movimentação atípica superior a R$ 70 milhões.

Envolvimento com o Tráfico e Tentativa de Infiltração

A Justiça apontou risco à ordem pública e à investigação, destacando a atuação interestadual do grupo e sua significativa capacidade financeira e operacional. Há indícios de tentativa de infiltração em estruturas do Estado para obter informações sigilosas sobre investigações. A organização criminosa movimentou cerca de R$ 70 milhões, atuando em conjunto com traficantes de diversos estados.

Os suspeitos são acusados de facilitar a contratação de empresas de fachada nos setores de transporte e logística para a compra de drogas na Colômbia e envio para Manaus, de onde seriam distribuídas. Os investigados respondem por organização criminosa, associação para o tráfico de drogas, corrupção, violação de sigilo funcional, lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio.