Seca e incêndios florestais em Roraima provocam colapso na produção de mel e perdas em lavouras, afetando apicultores e agricultores.
A combinação devastadora de seca prolongada e incêndios florestais tem causado um impacto severo em Roraima, dizimando populações de abelhas e destruindo lavouras. A falta de chuvas compromete a floração das plantas, fonte essencial de néctar e pólen para as abelhas, levando à morte e fuga em massa desses insetos cruciais para o ecossistema e para a produção de mel.
Produtores rurais relatam prejuízos alarmantes, com perdas significativas em suas criações e plantações. A situação é tão grave que o Governo de Roraima precisou decretar estado de emergência para tentar conter o avanço do fogo e mitigar os danos. A preocupação aumenta com as previsões de um El Niño mais intenso para o fim do ano.
Conforme informações divulgadas pelo g1, o estado registrou cerca de 360 focos de calor apenas em outubro, um número que se aproxima do recorde histórico para o mês. A Defesa Civil alerta para um cenário ainda mais desafiador nos próximos meses, exigindo ações coordenadas e urgentes.
Apicultores Sofrem com a Falta de Flores e o Avanço do Fogo
Apicultores em Roraima enfrentam perdas drásticas na produção de mel. José Pinheiro, um criador na zona rural de Boa Vista, viu sua produção despencar em 80%. Ele relata que chegava a produzir cinco toneladas de mel, mas agora mal consegue extrair uma tonelada. A escassez de flores fez com que muitos enxames abandonassem as colmeias em busca de alimento, diminuindo ainda mais o rendimento.
A região do lavrado, onde muitas criações de abelhas estão localizadas, é particularmente vulnerável. A vegetação seca e inflamável facilita a rápida propagação do fogo, que ameaça diretamente as colmeias. “Quando pega fogo nesse lavrado, não tem como a gente apagar. A labareda é muito forte”, descreve José.
Incêndios Destroem Colmeias e Prejudicam Lavouras
O apicultor Anderson Freitas é mais uma vítima dessa tragédia ambiental. Um incêndio destruiu mais de 20 caixas de suas abelhas em uma propriedade de 200 hectares. O fogo, iniciado após o contato do escapamento de um carro com a vegetação seca, consumiu não só as colmeias, mas também um veículo e uma carretinha de transporte. “É um sentimento muito ruim, ver tudo se acabar e não poder fazer nada. Tive que me afastar e preservar minha vida, porque não conseguia apagar aquele fogo”, relembra Anderson.
Além dos apicultores, os agricultores também amargam prejuízos consideráveis. A falta de água impede o desenvolvimento das plantações, levando à perda de safras inteiras de tomate, milho e couve. Carlos Pereira, agricultor da zona rural da capital, investiu cerca de R$ 12 mil em uma plantação de tomate, mas a maior parte da safra foi perdida. Ele teme que a continuação da seca o obrigue a abandonar a atividade.
Governo Decreta Emergência e Combate aos Incêndios
Diante da gravidade da situação, o Governo de Roraima decretou estado de emergência em setembro. Um gabinete foi criado para coordenar os esforços de combate aos incêndios florestais e buscar soluções para os impactos da estiagem. O coronel Cidinei Lima da Silva, diretor executivo da Defesa Civil Estadual, destacou que a previsão de um El Niño mais forte entre novembro e dezembro aumenta o nível de alerta.
Municípios como Iracema, Cantá e Normandia já declararam situação de emergência e recebem apoio do governo com materiais essenciais para o combate ao fogo, como kits, ferramentas e bombas abafadoras. A região centro-norte de Roraima é a mais afetada, especialmente as áreas de lavrado, que registraram cerca de 360 focos de calor em outubro.
Como medida preventiva, equipes do governo estão orientando os produtores rurais sobre os riscos do uso do fogo para limpeza de terrenos durante o período de seca, buscando evitar novos incêndios e proteger o meio ambiente e as atividades econômicas do estado.