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Política

Rota de Fuga de Flávio Bolsonaro: Como Foz do Iguaçu Virou Refúgio para Foragidos do 8/1 e Aliados Políticos

Rota de Fuga de Flávio Bolsonaro: Como Foz do Iguaçu Virou Refúgio para Foragidos do 8/1 e Aliados Políticos

Foz do Iguaçu, um ponto estratégico na rota de fuga de bolsonaristas e foragidos da Justiça

A cidade de Foz do Iguaçu, no Paraná, tem se revelado um ponto crucial na estratégia de fuga de figuras ligadas ao bolsonarismo que buscam evitar a Justiça brasileira. A região, conhecida por sua forte base de apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro, teria sido utilizada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e outros aliados para deixar o país, segundo informações divulgadas pelo governo argentino.

A proximidade com a fronteira, especialmente com a Argentina, torna a cidade um local estratégico para quem deseja cruzar para outros países. Essa característica, aliada a um histórico de apoio político a integrantes do grupo bolsonarista, mesmo após ações golpistas que os tornaram alvos de ordens de prisão, faz de Foz um ponto de passagem recorrente.

A rota de fuga de Flávio Bolsonaro, que teria passado pela Argentina antes de seguir para Miami, é apenas mais um exemplo de como essa região tem sido utilizada. Foragidos notórios dos atos de 8 de janeiro, como Léo Índio, primo dos filhos de Jair Bolsonaro, também encontraram refúgio em cidades argentinas próximas a Foz, evidenciando a conexão entre a região e a rede de apoio a esses indivíduos. Conforme apurado pela reportagem, o STF contabilizou 61 foragidos na Argentina em decorrência da tentativa de golpe em 2024.

Léo Índio, primo dos Bolsonaro, se refugia na Argentina e defende atos de 8 de Janeiro

Um dos foragidos mais conhecidos que permanece na região é Leonardo Rodrigues de Jesus, o Léo Índio, ex-assessor parlamentar e primo dos filhos mais velhos de Jair Bolsonaro. Ele está em Puerto Iguazú, do lado argentino, desde 2025. Em entrevista a uma TV argentina, Léo Índio comemorou a saída de Flávio Bolsonaro do Brasil, afirmando que o destino dele seria a prisão. Ele também minimizou os eventos de 8 de janeiro, chamando-os de “manifestação pacífica” e alegando que o vandalismo foi obra de infiltrados, sem apresentar qualquer evidência.

Outros Bolsonaristas Utilizaram Foz do Iguaçu Como Ponto de Passagem

A rota de fuga através de Foz do Iguaçu não se restringe a Flávio Bolsonaro e Léo Índio. A ex-deputada Carla Zambelli e o ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal, Silvinei Vasques, também teriam utilizado a cidade como ponto de partida para deixar o país. Zambelli dirigiu de São Paulo até o oeste paranaense, cruzou para a Argentina e, de lá, seguiu para os Estados Unidos e Itália, utilizando um passaporte italiano.

Silvinei Vasques foi preso no aeroporto de Assunção, no Paraguai, ao tentar embarcar para El Salvador. Sua tornozeleira eletrônica foi encontrada dias depois na rodoviária de Ciudad del Este, cidade vizinha a Foz. A forma como Flávio Bolsonaro chegou à Argentina ainda não está totalmente clara, mas uma van brasileira filmada no aeroporto de Puerto Iguazú teria sido utilizada por ele e sua família.

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Comunidade Bolsonarista Ativa em Foz do Iguaçu

A forte presença bolsonarista em Foz do Iguaçu é notória. Carros com adesivos da campanha de Flávio Bolsonaro e bandeiras do Brasil são comuns na paisagem. Em algumas cidades da região da tríplice fronteira, o senador chegou a obter 70% dos votos válidos no segundo turno, segundo o TSE. Grupos de WhatsApp de guias e operadores de turismo na cidade demonstram saudades do governo Bolsonaro e elogiam quem auxiliou na fuga.

Motoristas que já transportaram figuras como Nikolas Ferreira e o ex-ministro Paulo Guedes passaram a ser alvo de suspeitas nesses grupos. Um deles, Paulo Barbosa Oliveira Neto, após conversar com a reportagem, publicou em suas redes sociais uma foto antiga com Flávio Bolsonaro, após ter tratado a suspeita como piada.

Lacunas na Investigação e Apoio Político na Região

Ainda existem muitas lacunas sobre as circunstâncias da saída de Flávio Bolsonaro do Brasil, incluindo como ele deixou Brasília, o percurso exato, com quem contou e quais meios de transporte utilizou. A Polícia Federal, em Brasília, informou que a unidade de Foz, focada em crimes como contrabando e tráfico, não foi acionada para auxiliar na apuração.

O prefeito de Foz, General Joaquim Silva e Luna (PL), com histórico em governos anteriores, dirige a Itaipu Binacional e presidiu a Petrobras sob Bolsonaro. Na cidade, funcionou um “QG 100% Bolsonaro”, ponto de concentração de apoiadores, iniciativa do deputado federal Vermelho (PL-PR), com apoio do senador eleito Filipe Barros (PL-PR). Nem o prefeito nem os parlamentares responderam aos pedidos de entrevista.

O deputado federal Jeffrey Chiquini (Novo) atribui o sucesso da direita na região à ligação da população com o agronegócio e a um conservadorismo arraigado. Ele sugere que o apoio a Flávio Bolsonaro, mesmo após a fuga, se dá pela percepção de “perseguição” e “guerra”, onde “vale tudo”. No entanto, o “QG 100% Bolsonaro” foi pichado com ataques ao movimento na sexta-feira (30).

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