Candidatos ao Governo do Amazonas Detalham Planos para Meio Ambiente: Foco em Recuperação de Rios, Mineração e Crédito de Carbono
As propostas ambientais para o governo do Amazonas revelam um mosaico de ideias, mas com pontos de convergência notáveis entre os sete candidatos. Temas como o combate ao desmatamento e às queimadas, o fortalecimento dos órgãos de fiscalização e a adaptação às mudanças climáticas aparecem como prioridades em todos os planos registrados junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
As divergências e semelhanças nas abordagens para a gestão ambiental do estado se manifestam em propostas que vão desde o incentivo ao manejo sustentável de recursos naturais até o fortalecimento do mercado de carbono. A proteção de unidades de conservação e de comunidades tradicionais também figura como um ponto frequente nas plataformas dos postulantes.
As estratégias apresentadas pelos candidatos buscam conciliar o desenvolvimento econômico com a preservação ambiental, um desafio crucial para a região amazônica. As informações foram divulgadas conforme os planos de governo apresentados ao TSE. Concorrem ao governo do Amazonas Roberto Cidade (União Brasil), David Almeida (Avante), Omar Aziz (PSD), Professora Maria do Carmo (PL), Professor Gilberto Vasconcelos (PSTU), Isael Munduruku (Rede) e Cabo Daciolo (Mobiliza).
Cabo Daciolo: Fortalecimento da Defesa Civil e Inteligência Ambiental
O candidato Cabo Daciolo foca suas propostas ambientais no fortalecimento da Defesa Civil do Amazonas, visando aprimorar as ações de prevenção, mitigação e recuperação em articulação com políticas de adaptação climática. Seu plano inclui o mapeamento de áreas de risco, monitoramento de chuvas e emissão de alertas, além da elaboração de planos de contingência.
Daciolo também prevê investimento tático no Batalhão de Policiamento Ambiental (BPAmb), ampliando sua capacidade de atuação. A criação do Centro de Inteligência Ambiental e Territorial (CIAT) é outra proposta, reunindo dados ambientais, imagens de satélite e informações operacionais para um combate mais eficaz às atividades ilegais.
David Almeida: Prevenção a Queimadas e Adaptação Climática
David Almeida propõe a criação de uma Política Estadual de Prevenção e Combate às Queimadas e ao Desmatamento, com ênfase em educação ambiental, fiscalização e uso de tecnologia, incluindo inteligência artificial. Seu plano de governo também contempla a promoção de eficiência energética, reciclagem e o uso de energias limpas na administração estadual.
A elaboração de um Plano Estadual de Adaptação às Mudanças Climáticas é outra frente de atuação, com foco em gestão de riscos e segurança hídrica. Almeida também visa simplificar o licenciamento ambiental e implementar o Zoneamento Econômico-Ecológico (ZEE), buscando identificar possibilidades produtivas sustentáveis com participação social. A aceleração de projetos de crédito de carbono em Unidades de Conservação, incluindo o REDD+, também está prevista.
Gilberto Vasconcelos: Combate ao Agronegócio e Garimpo Ilegal
Gilberto Vasconcelos defende o combate à expansão do agronegócio e do garimpo ilegal no Amazonas, além de fortalecer a fiscalização ambiental com a ampliação da estrutura do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (IPAAM). Ele propõe maior controle social sobre o órgão e apoio a atividades econômicas em Reservas Extrativistas (RESEX) e Reservas de Desenvolvimento Sustentável (RDS).
Uma de suas propostas mais destacadas é o investimento em recursos estaduais para a recuperação de rios e igarapés degradados pelo descarte inadequado de lixo, buscando revitalizar corpos d’água importantes para a região.
Isael Munduruku: Economia da Floresta em Pé e Desmatamento Zero
Isael Munduruku apresenta a proposta de uma “economia da floresta em pé”, com incentivos a empresas da Zona Franca de Manaus que atingirem metas ambientais e estímulo à cultura de reparo, reuso e reciclagem. Seu plano inclui o cultivo de recursos naturais e o uso de conhecimentos tradicionais como fontes de renda sustentável.
Ele propõe uma trajetória estadual de desmatamento zero, com metas anuais e transparência por município, fiscalizadas pelo IPAAM e pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema). Um Plano Estadual de Adaptação Climática, com planos regionais para enfrentar eventos extremos, e uma transição energética para energia solar em prédios públicos também são citados.
Omar Aziz: Zoneamento Ecológico e Pagamentos por Serviços Ambientais
Omar Aziz tem como instrumento central de seu plano o Zoneamento Econômico-Ecológico (ZEE), visando conciliar atividades produtivas e conservação ambiental. Ele defende o manejo florestal comunitário e a integração dos órgãos ambientais desde as fases iniciais de projetos de engenharia.
Entre seus compromissos estão a redução do desmatamento, a ampliação dos Pagamentos por Serviços Ambientais (PSA) e a busca por investimentos de baixo carbono, com sistemas de Monitoramento, Relato e Verificação (MRV). Incentivos a serviços ambientais e iniciativas econômicas sustentáveis, como manejo do pirarucu e créditos de carbono, também são mencionados.
Professora Maria do Carmo: Mineração Legal e Crédito de Carbono
A Professora Maria do Carmo propõe adequar os procedimentos estaduais à nova Lei Geral do Licenciamento Ambiental, com prazos definidos e processos simplificados para obras de menor impacto. Ela defende a facilitação da mineração legal e o investimento na recuperação de áreas florestais degradadas.
Seu plano visa impulsionar o mercado de créditos de carbono e atrair empresas para processar matérias-primas amazônicas no próprio estado. Para a fiscalização ambiental, propõe o uso de satélites, drones e análise de dados, além de revisar unidades de conservação e zoneamento ambiental.
Roberto Cidade: Bioeconomia e Aproveitamento de Recursos Minerais
Roberto Cidade propõe a criação de polos regionais de bioeconomia focados na produção de açaí, castanha, óleos e outros produtos amazônicos, com ampliação de assistência técnica e infraestrutura de estradas vicinais. Ele também defende o aproveitamento sustentável do gás natural e de recursos minerais, como o potássio em Autazes e as terras raras em Apuí.
Segundo o plano de governo, essas atividades possibilitariam a criação de novas cadeias produtivas, geração de energia e desenvolvimento regional, sempre com respeito ao meio ambiente e às comunidades locais como fator primordial.