André do Prado, senador eleito e presidente da Alesp, provoca cisão no PL ao tentar emplacar sucessores novatos, gerando impasses na eleição da Mesa Diretora.
O cenário político em São Paulo está agitado com as articulações para a sucessão da presidência da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). André do Prado (PL), recém-eleito senador com o apoio do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), está no centro de uma forte disputa interna em seu partido, o PL.
Prado tem defendido a indicação de dois de seus aliados, Rogério Franco e Rodrigo Ashiuchi, ambos ex-prefeitos e que estarão em seu primeiro mandato como deputados estaduais em 2027, para assumir a presidência da Casa. Essa movimentação visa manter sua influência sobre a Alesp e o controle de indicações para cargos estratégicos.
A iniciativa, no entanto, não foi bem recebida pela maioria da bancada do PL na Alesp. Deputados mais experientes se reuniram para articular alternativas e expressaram forte resistência à escolha de parlamentares de primeiro mandato para liderar a Assembleia, conforme apurado pela Folha.
Oposição Crescente à Indicação de Novatos
A articulação de André do Prado para emplacar Rogério Franco ou Rodrigo Ashiuchi como seus sucessores na presidência da Alesp gerou um **racha significativo dentro do PL**. A decisão de Prado de apoiar nomes que nunca ocuparam um cargo legislativo estadual contrasta com o desejo de muitos parlamentares experientes da sigla.
Segundo informações, após o primeiro turno das eleições, deputados do PL formaram um grupo para debater e contrapor as indicações de Prado. A maioria dos 15 parlamentares presentes em uma reunião na terça-feira (3) manifestou forte **descontentamento com a ideia de um deputado de primeiro mandato assumir a presidência**.
Esses deputados defendem a escolha de um parlamentar com experiência e defendem a criação de uma lista de assinaturas para pressionar pela indicação de um nome reeleito. A intenção é evitar que a presidência da Casa se torne um palco para radicalismos e discussões vazias, priorizando a governabilidade.
Nomes Experientes em Destaque na Disputa
Em contrapartida às indicações de Prado, cinco deputados com mandatos em andamento despontam como favoritos entre os que se opõem aos novatos. São eles: **Marcos Damasio, Ricardo Madalena, Tenente Coimbra, Alex de Madureira e Thiago Auricchio**.
O nome da deputada **Dani Alonso**, que contaria com o apoio de Michelle Bolsonaro, também foi ventilado. A bancada também expressou o desejo de que o futuro presidente **se comprometa com o fim da reeleição para a presidência da Casa**, uma medida que o próprio André do Prado conseguiu aprovar durante seu mandato.
A reportagem procurou André do Prado para comentar o assunto, mas ele não respondeu. A articulação de Prado é vista por alguns como uma estratégia para **manter sua influência e o controle sobre a indicação de cargos** na Assembleia, mesmo após sua eleição para o Senado.
Tensão com o Governo e Possíveis Alianças
A indefinição na sucessão da Alesp também está sendo acompanhada de perto pelo Republicanos, partido do governador Tarcísio de Freitas. Embora Tarcísio tenha sinalizado que não se intrometerá, a ação ostensiva de Prado para emplacar um nome teria incomodado o governador.
Fontes indicam que Tarcísio preferiria a indicação do líder do governo na Alesp, Gilmaci Santos (Republicanos), ou de Alex de Madureira (PL). O Republicanos, por sua vez, estuda a possibilidade de lançar **Danilo Campetti**, amigo do governador, como uma alternativa.
Há um **receio no governo de que o novo presidente da Alesp tenha dificuldades em conduzir a Casa**, diante da possibilidade de parlamentares mais radicais utilizarem o plenário para fins de redes sociais, travando a pauta do governo. Nomes como Eduarda Campopiano, Thomaz Henrique e Lisboa, com histórico de declarações polêmicas, são mencionados como exemplos desse perfil.
Expectativa de Definição e Papel do PT
Deputados do PL esperam que um nome para a presidência da Alesp seja definido até o final de novembro, ou no máximo até meados de dezembro. A definição do PL é crucial, pois, pelo acordo informal de proporcionalidade que rege a Casa, o partido com mais deputados tem direito à presidência.
O PT, segunda maior legenda na Assembleia, aguarda a decisão do PL para definir sua estratégia. O deputado Paulo Fiorilo (PT) afirmou que o partido se reunirá em breve para discutir a sucessão e ressaltou a importância de um presidente com **experiência e capacidade de gerir o plenário de forma ordeira**, evitando que se torne um palco para lives ou cortes para redes sociais.
Para a primeira secretaria, cargo de segunda maior importância na Mesa Diretora, Fiorilo é um dos cotados, ao lado de outros petistas como Teonilio Barba, Professora Bebel, Emídio de Souza, Rômulo Fernandes e Thainara Faria. A escolha do presidente da Alesp terá impacto direto na condução política do estado nos próximos anos.