Presidente Isaac Herzog confia a Gadi Eisenkot a tarefa de formar um novo governo em Israel, após eleições inconclusivas
O presidente de Israel, Isaac Herzog, oficializou neste domingo (8) a escolha de Gadi Eisenkot, principal adversário do atual primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, para tentar formar um novo governo. A decisão se baseia na avaliação de que a coalizão liderada por Eisenkot possui as melhores chances de alcançar uma maioria no Parlamento.
A formação de governo em Israel opera sob um sistema parlamentarista, onde o partido ou coalizão com apoio suficiente no Knesset, o parlamento israelense, indica o primeiro-ministro. Quando nenhum bloco atinge a maioria necessária, como ocorreu nas eleições recentes, o presidente, como chefe de Estado, tem a prerrogativa de escolher quem considera ter mais viabilidade para formar um governo.
A tarefa de Eisenkot é complexa, pois ele precisará cruzar uma linha política tradicionalmente sensível: a possível necessidade de alianças com siglas árabes de Israel para garantir a maioria. Essa seria uma inédita colaboração para a formação de um governo no país, conforme informado pelo g1.
Um Desafio com Potencial Histórico para Eisenkot
Gadi Eisenkot, ex-chefe do Estado-Maior e líder do partido Yashar, recebeu o endosso de 67 dos 120 deputados do Knesset na última sexta-feira (6), após consultas com o presidente Herzog. Esse número ultrapassa os 61 assentos necessários para formar governo. No entanto, o apoio dos partidos árabes, que conquistaram um número recorde de cadeiras nas últimas eleições, não implica necessariamente sua participação direta no gabinete.
Eisenkot já declarou que não pretende incluí-los em seu governo, mas o apoio político é crucial para sua tentativa de formar uma coalizão. As eleições de 27 de outubro terminaram sem uma maioria clara para nenhum dos blocos principais. O Likud, partido de Netanyahu, obteve 27 cadeiras, mas sua aliança de direita e religiosa somou 53. O bloco de oposição de Eisenkot conquistou 48 assentos.
O Avanço Histórico dos Partidos Árabes e a Trajetória de Eisenkot
O crescimento expressivo dos partidos que representam a população árabe de Israel, que compõem cerca de 21% da população total, marcou o pleito. Juntas, as duas principais forças desse segmento, a Lista Conjunta e o partido Ra’am, conquistaram 19 cadeiras, refletindo uma participação recorde de eleitores árabes. Esse cenário eleitoral inédito coloca Eisenkot diante de um dilema estratégico para a formação de seu governo.
Gadi Eisenkot, de 66 anos e filho de imigrantes marroquinos, pode se tornar o primeiro premiê de Israel oriundo da comunidade mizrahi, de judeus com raízes no Oriente Médio e Norte da África. Sua entrada na política ocorreu em 2022, e ele teve uma breve passagem pelo gabinete de guerra de Netanyahu após os ataques de 7 de outubro de 2023, antes de retornar à oposição.
Críticas a Netanyahu e Propostas de Segurança
Como opositor, Eisenkot criticou abertamente a liderança de Netanyahu, incluindo a condução da ofensiva militar na Faixa de Gaza. Ele também se comprometeu a não integrar um governo liderado pelo atual primeiro-ministro. A trajetória de Eisenkot também foi marcada por perdas pessoais, com a morte de um filho e dois sobrinhos em combate na Faixa de Gaza desde 2023.
Durante a campanha, Eisenkot enfatizou sua experiência em segurança, citando a “Doutrina Dahiya”, uma estratégia de resposta militar desproporcional a ataques, que ele empregou durante a guerra de 2006 contra o Hezbollah. Ele também se manifestou contra a violência de colonos israelenses contra palestinos e criticou aliados de extrema direita de Netanyahu, como Itamar Ben-Gvir e Bezalel Smotrich, que enfrentam sanções de países ocidentais por declarações consideradas incitadoras.