Operação Dinastia do Lago: Prefeito de Coari Afastado por 90 Dias em Investigação de Corrupção e Lavagem de Dinheiro
O prefeito de Coari, Adail Pinheiro (Republicanos), foi afastado de suas funções por 90 dias em uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A medida, anunciada nesta quarta-feira (16), é parte da Operação Dinastia do Lago, conduzida pela Polícia Federal (PF).
A investigação apura suspeitas de fraudes em licitações, desvio de recursos públicos, corrupção e lavagem de dinheiro em contratos firmados pela Prefeitura de Coari, localizada no interior do Amazonas. A operação cumpre 29 mandados de busca e apreensão em Manaus e Coari, além de determinar o afastamento de secretários municipais.
O principal alvo da operação, segundo apuração da TV Globo, é o deputado federal Adail Filho (MDB-AM), filho do prefeito afastado. Mandados de busca foram cumpridos contra o parlamentar em solo amazonense, mas não em Brasília. Conforme informações divulgadas pela imprensa, a defesa de Adail Pinheiro e Adail Filho manifestou surpresa com o cumprimento dos mandados e considera o afastamento do prefeito desnecessário, prometendo medidas cabíveis após acesso ao conteúdo da investigação.
Desdobramentos da Investigação e Defesa dos Investigados
A defesa de Adail Pinheiro informou que já solicitou acesso ao material do inquérito para apresentar um recurso e buscar a recondução do prefeito ao cargo. O advogado ressaltou que o prefeito não é réu, não foi denunciado e não possui condenações relacionadas ao caso, afirmando que “Ele não é réu, ele não é condenado, não tem denúncia, não tem absolutamente nada contra ele”.
Em relação a Adail Filho, a defesa confirmou que ele foi alvo de busca e apreensão, mas garantiu que a medida não afeta seu mandato parlamentar. A declaração foi de que “Não houve qualquer tipo de decisão que afetasse o seu mandato de parlamentar”.
Os advogados dos investigados enfatizaram que o cumprimento dos mandados de busca e apreensão não configura culpa ou reconhecimento de crimes. Segundo eles, os investigados não possuem relação com os fatos que deram origem ao inquérito e estão adotando medidas para esclarecer o caso. A defesa reiterou a confiança nas instituições e a expectativa de que os fatos sejam esclarecidos rapidamente.
Origem da Investigação: Flagrante em Brasília
A operação desta quarta-feira é um desdobramento de um inquérito iniciado no STF para investigar Adail Filho por suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro. A investigação teve início após a prisão em flagrante de três empresários no Aeroporto de Brasília, em maio de 2025.
Na ocasião, Cesar de Jesus Gloria Albuquerque, Erick Pinto Saraiva e Wagner Santos Moutinho transportavam aproximadamente R$ 1,25 milhão em espécie, sem apresentar comprovante da origem do dinheiro. A partir dessa apreensão, documentos e aparelhos eletrônicos foram analisados com autorização judicial.
Segundo o processo, o material coletado apontou movimentações financeiras suspeitas e possíveis ligações com contratos da Prefeitura de Coari. A investigação identificou empresas ligadas aos envolvidos que mantinham contratos com o município, potencialmente usadas para fraudar licitações. O caso também envolve repasses de emendas parlamentares destinadas a Coari nos anos de 2024 e 2025.
Decisão de Alexandre de Moraes e Prorrogação da Investigação
Em despacho, Alexandre de Moraes indicou que documentos e dispositivos apreendidos revelaram repasses financeiros de empresas ligadas aos investigados em benefício de Adail Filho e de seu pai, Adail Pinheiro. “Na mesma ocasião, foram apreendidos documentos e dispositivos eletrônicos que, após análise autorizada judicialmente, revelaram a realização de repasses financeiros por pessoas jurídicas vinculadas aos investigados em benefício do Deputado Federal Adail Filho e de seu pai, Manoel Adail, prefeito do Município de Coari/AM”, consta na decisão.
O ministro determinou a abertura do inquérito no STF a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), encaminhando o caso para a PF. Em 24 de junho de 2026, Moraes prorrogou a investigação por mais 60 dias, atendendo a um pedido da PF que destacou a complexidade dos fatos, o número de pessoas e empresas envolvidas, e a existência de diligências pendentes.
A investigação apura os crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, além de suspeitas de fraude em licitação, desvio de recursos públicos e peculato. O portal g1 busca contato com a defesa dos empresários Cesar de Jesus Gloria Albuquerque, Erick Pinto Saraiva e Wagner Santos Moutinho.