PP recua em ameaça e reafirma aliança com Tarcísio para 2026

O Partido Progressista (PP) anunciou que não lançará candidatura própria ao governo de São Paulo em 2026. A decisão surge após a nomeação de Roberto Carneiro, presidente estadual do Republicanos, para a chefia da Casa Civil, em substituição a Arthur Lima. A mudança, vista como um movimento político estratégico de Tarcísio de Freitas (Republicanos), visa recompor a relação com aliados.

No final de 2025, o PP expressou insatisfação com a gestão de Tarcísio, reclamando da falta de atenção aos prefeitos e parlamentares ligados ao partido. Havia também descontentamento com cortes no orçamento da segurança pública, área de interesse da sigla. A prioridade máxima do PP para a eleição de 2026 é a candidatura de Guilherme Derrite ao Senado, na chapa do governador.

A nomeação de Carneiro, descrito como um político experiente e com bom trânsito, é vista pelo PP como um **sinal de que o governador ouviu as demandas do partido**. O dirigente estadual do PP, Maurício Neves, que chegou a sugerir o nome de Carneiro para Tarcísio, mostrou otimismo com a mudança. “Podemos agora retomar o entrosamento e seguir nessa grande aliança política com o governador na eleição”, declarou Neves.

Mudança na Casa Civil é vista como acerto político

Roberto Carneiro assume a Casa Civil com a missão de fortalecer a interlocução entre o Palácio dos Bandeirantes e os municípios, além de gerenciar a liberação de verbas. Sua experiência política é vista como um diferencial em relação ao estilo mais burocrático de seu antecessor. O PP, um partido com forte atuação municipalista, defende a necessidade de um canal direto com o governo para atender às demandas locais.

“Somos um partido municipalista. O buraco na rua quem sabe é o prefeito”, ressaltou Maurício Neves, explicando a importância de ter um representante político na Casa Civil. Ele reconhece as qualidades de Tarcísio como gestor, mas aponta uma “deficiência política” que, segundo ele, pode ser suprida com a nova gestão na pasta.

PP considerava nomes alternativos para o governo estadual

A nota divulgada pelo PP no fim do ano passado, que indicava a possibilidade de lançar candidaturas próprias, chegou a mencionar nomes como o ex-secretário estadual Filipe Sabará e o deputado federal Ricardo Salles (Novo). Na época, Neves justificou a atitude como uma resposta à pressão das bases partidárias, que demandavam maior atenção do governo estadual.

“Eu tinha que ouvir as minhas bases, que pediam que Tarcísio colocasse um quadro mais político no Palácio, alguém que criasse um protocolo de trabalho, que atendesse os prefeitos”, explicou o dirigente. Ele agora acredita que o governador Tarcísio de Freitas demonstrou ter ouvido essas demandas com a escolha de Carneiro, um nome que, segundo Neves, “tem feeling político” e poderá fortalecer a parceria.