Manaus: 11 Policiais Militares Presos em Operação do MP; Investigação Aponta Homicídio e Fraude Processual
Uma operação deflagrada pelo Ministério Público do Amazonas (MPAM) nesta sexta-feira (13) resultou na prisão de 11 policiais militares em Manaus. A ação, batizada de “Simulacrum”, investiga a morte do jovem João Paulo Maciel dos Santos, de 19 anos, ocorrida em outubro de 2025, no bairro Vila da Prata, Zona Oeste da capital.
O caso ganhou grande repercussão após a divulgação de imagens da abordagem policial, que contradizem a versão oficial apresentada pelos militares. Segundo o MPAM, 19 policiais foram denunciados, enfrentando acusações de homicídio qualificado e fraude processual.
As investigações apontam para um possível encobrimento da verdade dos fatos, com evidências que sugerem que a morte do jovem não se deu em confronto. As prisões e mandados de busca e apreensão visam coletar mais provas e garantir o andamento da justiça, conforme informações divulgadas pelo MPAM.
Detalhes da Operação “Simulacrum”
A operação cumpriu 11 mandados de prisão preventiva, 19 de busca e apreensão e oito medidas cautelares diversas da prisão. As ordens foram expedidas pela 1ª Vara do Tribunal do Júri da Capital. Entre os presos estão um capitão, dois cabos, um terceiro-sargento e sete soldados, todos lotados nas Rondas Ostensivas Cândido Mariano (Rocam).
Dez dos militares foram detidos em Manaus, enquanto um deles ainda não foi localizado, pois encontra-se fora do estado. A ação contou com o apoio da própria Polícia Militar, através da Diretoria de Justiça e Disciplina e da unidade Rocam, demonstrando o compromisso da corporação com a investigação.
As Acusações Contra os Policiais
O Ministério Público denunciou um total de 19 policiais militares no caso. As acusações são graves, incluindo 11 denúncias por homicídio qualificado e 12 por fraude processual. Quatro dos investigados respondem por ambos os crimes, o que indica uma participação mais complexa no suposto encobrimento.
A Justiça autorizou as medidas após analisar as evidências coletadas até o momento, que incluem laudos periciais. Estes laudos, segundo a defesa da família da vítima, indicaram disparos de arma de fogo em órgãos vitais de João Paulo e apontaram inconsistências na versão de confronto inicial.
Versão da Polícia e Contestações de Testemunhas
A versão inicial da Rocam, conforme informações obtidas, dava conta de que os policiais foram ao local após uma denúncia anônima sobre venda de entorpecentes por criminosos armados. Eles teriam iniciado uma perseguição e, ao entrarem em uma passagem lateral de uma residência, afirmaram ter sido atacados a tiros.
No entanto, imagens de uma testemunha e relatos de moradores contestam essa narrativa. O vídeo mostra a abordagem a um homem, que aparenta cooperar, sendo levado para a passagem lateral. Pouco depois, policiais saem do local carregando um corpo. A **defesa da família de João Paulo** contesta veementemente a versão de confronto.
Repercussão e Manifestações
A morte de João Paulo Maciel dos Santos gerou revolta e manifestações. Um dia após o ocorrido, familiares e amigos protestaram na Avenida Brasil, Zona Oeste, exigindo justiça. Durante o ato, houve bloqueio da via e o uso de balas de borracha pela polícia para dispersar a multidão.
A mãe da vítima, Jeciara Maciel, participou do protesto questionando a ação policial. A defesa da família classificou a resposta do Estado como desproporcional e violenta, enquanto a Polícia Militar reafirmou seu compromisso com a legalidade e a proteção da população.
Nomes dos Militares com Mandados de Prisão Expedidos
Os policiais militares que tiveram mandados de prisão expedidos são:
- Capitão Wilkens Diego Feitosa da Silva
- Cabo Fernanda Braga de Oliveira
- Soldado Luilson Marlon Valentim
- Soldado Rudicimar Cunha Cativo
- Soldado Tiago Salim de Lima
- Soldado Jean Thiago Correia Negreiros
- 3º sargento Alain José Campos da Silva Junior
- Soldado Humberto Gondim Barbosa Neto Passos
- Cabo Marcel Alves de Paiva
- Soldado Denis Ferreira de Souza
- Soldado Gelson Zanelato Filho
A operação “Simulacrum” representa um passo importante para o esclarecimento dos fatos e a busca por justiça para a família de João Paulo Maciel dos Santos. O processo continua em tramitação na 1ª Vara do Tribunal do Júri da Capital.