PL intensifica articulação para ter Tarcísio de Freitas em 2026, visando vice ou filiação e recuperação de votos perdidos

Lideranças do Partido Liberal (PL) planejam uma nova ofensiva para convencer o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), a se filiar à sigla ou aceitar um vice do PL na chapa de 2026. A estratégia visa capitalizar a presença do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no estado nesta sexta-feira (27) para reforçar a pressão.

Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência, terá uma reunião estratégica com Tarcísio de Freitas no Palácio dos Bandeirantes para discutir os detalhes da formação da chapa eleitoral paulista. O encontro também servirá para apresentar argumentos que reforcem o interesse do PL em ter um representante em cargo majoritário no estado.

A articulação ocorre em um momento crucial para o cenário político de São Paulo e nacional, com o PL buscando consolidar sua força e evitar a repetição de erros eleitorais passados. Conforme informações divulgadas pela Folha de S.Paulo, o partido pretende usar a força de sua bancada na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) e a influência do presidente nacional da sigla, Valdemar Costa Neto, para atingir seus objetivos. A movimentação inclui a proposta de uma homenagem a Valdemar na Alesp, articulada pelo presidente da Casa, o deputado André do Prado (PL), visto como pupilo do dirigente e potencial nome para vice-governador.

Vice de Tarcísio sob escrutínio e a aposta do PL em André do Prado

Um dos pontos centrais da negociação gira em torno da escolha do vice-governador. O atual vice de Tarcísio, Felício Ramuth (PSD), enfrenta investigações sobre suposta lavagem de dinheiro, o que representa um ponto de desgaste a ser explorado pelo PL. Flávio Bolsonaro, segundo auxiliares do partido, deve apresentar o nome de André do Prado como uma alternativa mais segura e alinhada aos interesses do PL.

Apesar de Tarcísio de Freitas ter afirmado que as investigações sobre Ramuth não influenciarão sua decisão, lideranças do PL argumentam que a oposição poderá usar o caso para desgastar o governador durante a campanha eleitoral. A sugestão é que a escolha de um nome do PL para a vice-governadoria evitaria esse tipo de ataque e fortaleceria a chapa.

O apelo pela filiação de Tarcísio ao PL e a memória dos votos anulados em 2022

O objetivo principal do PL, no entanto, é a filiação do próprio Tarcísio de Freitas à sigla. O pedido, que vem sendo feito desde o início do mandato do governador, será reiterado por Valdemar Costa Neto. O líder do PL expressou o interesse da sigla em contar com Tarcísio, mesmo diante de suas negativas anteriores, destacando a importância de ter o governador de São Paulo em seus quadros.

A estratégia do PL também visa evitar a repetição do cenário de 2022, quando eleitores se confundiram com o número 22, associado ao PL e a Jair Bolsonaro, e anularam mais de 500 mil votos para governador em São Paulo. A confusão ocorreu porque Tarcísio, candidato pelo Republicanos, utilizava o número 10.

A preocupação com votos anulados e o impacto nas eleições presidenciais

As lideranças do PL temem que a confusão de votos possa favorecer candidaturas de esquerda, como a do PT, que busca garantir um segundo turno em São Paulo para fortalecer a campanha de Lula. Acreditam que, ao alinhar os números de urna dos candidatos presidenciais e majoritários estaduais, é possível não apenas evitar a perda de votos, mas também fortalecer a legenda como um todo.

A maior bancada da Alesp, com 20 dos 94 deputados, é apresentada como um trunfo do PL para a construção de uma chapa competitiva. A ideia é que a força política do partido no estado seja correspondida com a presença de um quadro do PL disputando um cargo de destaque, seja a vice-governadoria ou, idealmente, a própria filiação de Tarcísio.