A Polícia Federal deflagrou na manhã desta sexta-feira (15) a Operação Sem Refino, que tem como um dos principais alvos o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL). Agentes cumpriram mandado de busca e apreensão na residência de Castro, localizada em um condomínio de luxo na Barra da Tijuca. A ação, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), investiga suspeitas de fraudes fiscais bilionárias cometidas pelo Grupo Refit, antiga Refinaria de Manguinhos, que incluiriam a utilização da estrutura da empresa para ocultação patrimonial e evasão de recursos ao exterior.

Além do ex-governador, a operação tem outros alvos de peso, como o empresário Ricardo Magro, dono da Refit, contra quem a PF pediu um mandado de prisão e a inclusão em lista da Interpol. Também são alvos de busca o desembargador afastado Guaraci Vianna, o ex-secretário estadual de Fazenda Juliano Pasqual e o ex-procurador do estado Renan Saad. Ao todo, estão sendo cumpridos 17 mandados de busca e apreensão e sete medidas de afastamento de funções públicas. Em uma das residências de um policial civil, os agentes apreenderam cerca de R$ 500 mil em espécie.

A investigação faz parte de um desdobramento de uma megaoperação ocorrida em novembro do ano passado, a Operação Poço de Lobato, que já havia apontado um prejuízo estimado de R$ 26 bilhões aos cofres públicos. Os investigadores afirmam que o esquema do Grupo Refit era sofisticado e atuava em toda a cadeia de combustíveis, desde a importação com classificação incorreta para pagar menos impostos até a utilização de cerca de 50 fundos de investimento para ocultar lucros reais e blindar o patrimônio.

A defesa de Cláudio Castro afirmou, em nota, que foi “surpreendida com a operação”, mas que ele está “à disposição da Justiça para dar todas as explicações, convicto de sua lisura”. A nota destaca ainda que, durante sua gestão, o estado conseguiu que a refinaria pagasse dívidas que se aproximam de R$ 1 bilhão, e que nada de relevante foi apreendido na busca realizada em sua casa. Atualmente, o Rio de Janeiro é governado interinamente pelo presidente do Tribunal de Justiça, Ricardo Couto, após a cassação de Castro e a renúncia do vice.

A operação desta sexta-feira ocorre em meio a uma crise institucional no estado do Rio, que ainda discute no STF a forma de escolha do próximo governador para um mandato-tampão. Cláudio Castro, que já é pré-candidato ao Senado nas eleições de outubro, é apenas um dos nomes investigados no que as autoridades classificam como um caso emblemático de “crime do andar de cima”, expondo um esquema de fraudes fiscais tecnicamente elaborado e de impacto bilionário.