Operação Gatekeeper prende suspeitos de integrar organização criminosa que usava o Aeroporto de Manaus para envio de drogas e lavagem de dinheiro em apostas.
A Polícia Federal (PF) realizou a segunda fase da Operação Gatekeeper, prendendo dois suspeitos em Manaus e Coari. A dupla é investigada por integrar uma organização criminosa que utilizava o Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, em Manaus, como ponto estratégico para o envio de drogas para outros estados.
Paralelamente ao tráfico, o grupo criminoso empregava plataformas de apostas online (bets) e contas digitais para lavar o dinheiro obtido com atividades ilícitas. A operação, que visa desarticular o núcleo financeiro da quadrilha, também resultou no cumprimento de mandados de busca e apreensão.
Conforme informações divulgadas pelo g1 AM, a Justiça Federal determinou o sequestro de oito veículos e o bloqueio de até R$ 31 milhões das contas dos investigados. A investigação teve início em dezembro de 2024, após a apreensão de 18 kg de maconha, e já resultou na condenação de um policial federal na primeira fase da operação.
Núcleo financeiro sob mira da PF: milhões movimentados em apostas e fintechs
Nesta nova etapa, a PF concentrou esforços em identificar e desarticular o **núcleo financeiro** da organização criminosa. A investigação revelou que o grupo movimentou dezenas de milhões de reais sem lastro de renda lícita. Para isso, utilizavam intensivamente fintechs, casas de apostas (bets), contas com a mesma titularidade, saques em espécie e empresas de fachada.
Os valores lavados eram, posteriormente, convertidos na aquisição de veículos de luxo. A PF destacou que esse fluxo financeiro permaneceu ativo entre agosto de 2025 e março de 2026, mesmo após as prisões efetuadas na primeira fase da operação, demonstrando a audácia e persistência do grupo.
Aeroporto de Manaus como rota de drogas e a participação de servidor público
A primeira fase da Operação Gatekeeper, deflagrada em março de 2025, já havia exposto o envolvimento de um servidor da própria Polícia Federal no esquema. Na ocasião, câmeras de segurança do aeroporto de Manaus registraram o policial colocando mochilas com drogas na área restrita de embarque, trocando-as em banheiros com passageiros contratados pelo grupo.
Naquela etapa, foram documentadas pelo menos 13 remessas, totalizando cerca de 150 kg de maconha enviadas para fora do estado. A participação de um agente público conferiu ao crime agravantes significativos, que serão considerados na sentença.
Penalidades severas aguardam os envolvidos na organização criminosa
Os investigados na Operação Gatekeeper podem responder por uma série de crimes graves, incluindo tráfico de drogas, associação para o tráfico, organização criminosa e lavagem de dinheiro. As penas podem ser agravadas pelo transporte interestadual de drogas e pelo envolvimento de um agente público.
Se somadas, as condenações podem ultrapassar 30 anos de reclusão. A ação da PF demonstra o compromisso em combater o crime organizado em suas diversas vertentes, desde a logística de drogas até a complexa engenharia financeira para ocultar os lucros ilícitos.
Investigação em andamento e novas prisões esperadas
A segunda fase da Operação Gatekeeper não apenas resultou em novas prisões, mas também aprofundou o conhecimento sobre a estrutura e os métodos de operação do grupo criminoso. A identificação de outros passageiros e intermediários envolvidos nas viagens é um passo crucial para a completa desarticulação da rede.
A PF continua as investigações, com foco em identificar todos os envolvidos e recuperar os valores desviados. O bloqueio de R$ 31 milhões e o sequestro de veículos são medidas importantes para descapitalizar a organização e impedir que continuem a financiar suas atividades criminosas.