Guerra contra o Irã: Apoio público nos EUA despenca para menor nível em 5 meses, revela pesquisa Reuters/Ipsos
A aprovação da guerra contra o Irã entre os norte-americanos atingiu seu ponto mais baixo desde o início do conflito, há cinco meses. Uma pesquisa recente da Reuters/Ipsos indica que apenas um em cada três americanos apoia a ação militar, um sinal de crescente ceticismo em relação à estratégia do presidente Donald Trump.
A maioria dos entrevistados também expressou dúvidas sobre a clareza dos objetivos definidos pelo presidente Trump para o envolvimento militar dos EUA. Essa falta de clareza, aliada ao aumento dos preços da gasolina e às baixas americanas, contribui para a diminuição do apoio público.
A pesquisa, realizada entre sexta-feira e domingo, também apontou um leve aumento na aprovação geral do presidente Trump, que subiu para 37%. No entanto, o apoio à guerra específica contra o Irã permanece significativamente baixo, levantando preocupações para o Partido Republicano antes das eleições de meio de mandato em novembro.
Trump apresenta objetivos variados para o conflito, mas sem clareza para a maioria
O presidente Donald Trump tem apresentado diferentes justificativas para a guerra contra o Irã, incluindo a ajuda aos iranianos para derrubar seus líderes, a neutralização da capacidade de mísseis balísticos do país e a prevenção de que o Irã obtenha uma arma nuclear. Contudo, a pesquisa revela que 69% dos norte-americanos, incluindo 40% dos republicanos, acreditam que Trump não explicou claramente os objetivos do envolvimento militar dos EUA no Irã.
A porta-voz da Casa Branca, Olivia Wales, afirmou que o presidente não tomará decisões com base em “pesquisas de opinião voláteis”, reiterando o compromisso de impedir que o Irã adquira armas nucleares. Ela destacou a importância de ter um comandante-chefe que tome medidas ousadas para garantir a segurança nacional.
Baixo apoio à guerra contrasta com conflitos anteriores e preocupa republicanos
O índice de aprovação da guerra contra o Irã tem se mantido abaixo de 40% desde os ataques iniciais em 28 de fevereiro. Este cenário contrasta fortemente com os primeiros meses de conflitos anteriores. Por exemplo, a Guerra do Iraque (2003-2011) teve cerca de 70% de apoio público em seu início, enquanto a Guerra do Afeganistão (2001-2021) contou com o apoio de aproximadamente 90% dos americanos, segundo dados da Gallup.
A desaprovação pública da guerra está exercendo pressão sobre Trump e seu partido, especialmente às vésperas das eleições de meio de mandato em novembro. Alex Womack, um eleitor republicano aposentado, expressou confusão sobre os motivos da guerra e disse que seu apoio a Trump diminuiu por causa do conflito. “Pessoalmente, não acho que ele esteja se saindo muito bem”, afirmou.
Custos da guerra, incluindo vidas e gasolina, afetam a opinião pública
Até o momento, 18 soldados norte-americanos morreram no conflito, e milhares de iranianos e libaneses perderam a vida em confrontos com forças israelenses, apoiadas pelo Irã. Além das perdas humanas, a guerra provocou um aumento acentuado nos preços da gasolina nos EUA, impactando diretamente as finanças dos cidadãos.
Os preços médios da gasolina ultrapassaram os US$4 por galão, um aumento significativo em relação aos cerca de US$3 antes do início da guerra. Alex Conant, estrategista político republicano, comentou que a guerra pressiona o partido de maneiras negativas e dificulta o debate econômico quando o foco está na política externa.
Eleitores independentes mostram preferência por democratas em meio à insatisfação com a guerra
A pesquisa também revelou que eleitores registrados como independentes preferem os candidatos democratas em relação aos republicanos, tanto para o Congresso quanto para a política econômica. Rhyan Anderson, um eleitor independente que votou em Trump em 2024, acredita que o presidente deveria priorizar os problemas internos em vez de se envolver em conflitos externos.
Durante sua campanha presidencial, Trump prometeu manter os EUA fora de conflitos prolongados, estimando inicialmente que a guerra contra o Irã duraria apenas quatro a cinco semanas. A pesquisa Reuters/Ipsos, realizada online com 1.246 adultos norte-americanos, tem uma margem de erro de 3 pontos percentuais para mais ou para menos.