Paralisação dos Rodoviários em Manaus: Transporte Público Comprometido e Disputa Financeira no Terceiro Dia
A paralisação dos rodoviários em Manaus completa três dias nesta quarta-feira (22), impactando diretamente a mobilidade urbana na capital amazonense. A circulação de ônibus segue restrita, operando com apenas 80% da frota nos horários de pico e 50% nos demais períodos, conforme determinação judicial.
O movimento grevista teve início na segunda-feira (20) devido ao atraso no pagamento dos salários dos trabalhadores. A Justiça do Trabalho, por meio do Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (TRT-11), estabeleceu percentuais mínimos de circulação para garantir o serviço essencial à população, mas a insatisfação persiste.
As empresas de transporte coletivo descumpriram os prazos de pagamento, levando o Sindicato dos Rodoviários a deflagrar a greve. A situação expõe um complexo cenário de dívidas e divergências financeiras que afetam o setor, com o passe livre estudantil figurando como um dos principais pontos de atrito. Conforme informações divulgadas pelo Sinetram, o benefício estaria ameaçado por um débito de R$ 90,1 milhões.
Entenda o Conflito e as Responsabilidades Financeiras
A greve dos rodoviários em Manaus se intensifica em meio a um embate financeiro entre as empresas de transporte, a Prefeitura de Manaus e o Governo do Estado. O Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram) aponta uma dívida de R$ 90.184.740,19 relacionada ao passe livre estudantil. Desse montante, mais de R$ 44 milhões seriam de responsabilidade do Governo do Amazonas, e o restante, da Prefeitura de Manaus.
Prefeitura e Governo Divergem sobre Dívidas do Passe Livre Estudantil
Em meio à paralisação, o prefeito de Manaus, Renato Júnior, afirmou na terça-feira (21) que o município não possui pendências com o transporte coletivo referentes a 2026, tendo repassado cerca de R$ 284 milhões ao Sinetram neste ano. Pouco depois, o Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU) esclareceu que, embora não haja débitos de 2026, existe um passivo de R$ 150,4 milhões de anos anteriores, sendo R$ 91 milhões de responsabilidade estadual e R$ 59 milhões municipal.
O vice-governador Serafim Corrêa contestou o valor apresentado pelo Sinetram, reconhecendo apenas um débito de R$ 18 milhões referente aos meses de fevereiro a julho de 2026. Ele assegurou que o valor seria pago em até 24 horas e, posteriormente, publicou o comprovante de transferência, declarando que o governo havia cumprido sua parte.
Divergência no Valor do Passe Livre Estudantil
A raiz do impasse reside na forma de cálculo do passe livre estudantil. Serafim Corrêa defende o pagamento de R$ 2,50 por passagem, o valor da meia-passagem estudantil. Já o Sinetram insiste no pagamento baseado na tarifa técnica, que reflete o custo operacional do sistema e supera os R$ 8. Essa diferença de valores tem sido o principal obstáculo para a resolução da crise.
Histórico do Impasse e Decisão Judicial
O conflito se iniciou em 2025, após o fim do convênio entre Governo do Amazonas e Prefeitura de Manaus para o custeio do passe livre estudantil. O Estado passou a defender o pagamento direto ao Sinetram pelo valor da meia-passagem. Em junho de 2025, uma decisão judicial autorizou o Governo do Amazonas a adquirir as meias-passagens pelo valor de R$ 2,50, determinando que IMMU e Sinetram não impedissem o acesso dos estudantes da rede estadual ao transporte gratuito.