Paralisação de Rodoviários Afeta Comércio e Mobilidade em Manaus
A greve dos rodoviários em Manaus, iniciada na segunda-feira (20) e sem previsão de término, tem impactado significativamente o movimento do comércio no Centro da capital. A circulação reduzida de ônibus, com apenas 50% da frota fora dos horários de pico, gerou receio entre os consumidores, que optaram por evitar a região central por medo de não conseguir retornar para suas casas.
A paralisação é motivada pelo atraso no pagamento dos salários da categoria, conforme informado pelo Sindicato dos Rodoviários. A situação também tem dificultado o retorno de comerciantes e funcionários para suas residências, gerando transtornos no fim do dia. As informações são da Associação Comercial do Amazonas (ACA).
O vice-governador Serafim Corrêa anunciou o repasse de R$ 18 milhões para cobrir seis meses de valores pendentes do Passe Livre Estudantil, enquanto a Prefeitura de Manaus declarou não possuir débitos. A Justiça do Trabalho determinou a circulação de 80% da frota nos horários de pico (6h às 9h e 17h às 20h) e 50% nos demais horários, sob pena de multa de R$ 120 mil por hora ao sindicato em caso de descumprimento.
Impacto no Comércio e Dificuldades de Deslocamento
Bruno Pinheiro, presidente da ACA, destacou que a redução no movimento do comércio no Centro de Manaus foi mais acentuada que o normal. A principal preocupação dos consumidores, segundo ele, é a dificuldade de locomoção, especialmente o retorno para casa após as compras. A falta de transporte público confiável desencoraja a ida às lojas, prejudicando as vendas.
Além dos consumidores, comerciantes e seus funcionários também enfrentam dificuldades para retornar para casa. As paradas de ônibus ficaram lotadas no início da noite de terça-feira, evidenciando a escassez de serviço e a grande demanda reprimida. A circulação dos ônibus segue as determinações judiciais, o que nem sempre atende à necessidade da população.
Educação e Ensino Superior: Impactos Diferenciados
A Secretaria Municipal de Educação (Semed) informou que a paralisação dos rodoviários não afetou o funcionamento das escolas municipais de Manaus. As 520 unidades da rede operam normalmente, com as atividades pedagógicas mantidas. A Semed atribui isso ao fato de a maioria dos estudantes estar matriculada em escolas próximas às suas residências, minimizando o impacto da falta de ônibus.
Em contrapartida, a Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e a Universidade Federal do Amazonas (Ufam) optaram por atividades remotas para servidores e estudantes das unidades em Manaus. A UEA, que está em recesso acadêmico, aplicou a medida para servidores administrativos. Já a Ufam liberou atividades acadêmicas remotas devido às dificuldades de deslocamento causadas pela greve.
Demanda por Transporte e Determinação Judicial
Apesar da grande quantidade de usuários nas paradas de ônibus, a frota continua operando conforme a decisão da Justiça do Trabalho. O Sindicato dos Rodoviários segue as orientações, que preveem a circulação de 80% da frota nos horários de pico e 50% nos demais. O não cumprimento pode gerar multas pesadas para o sindicato.
A situação reflete o dilema entre o direito de greve dos trabalhadores e a necessidade de garantir o transporte público para a população. A falta de acordo sobre o pagamento dos salários dos rodoviários mantém a incerteza sobre o fim da paralisação e a normalização do serviço na capital amazonense.