Oposição aposta em vetos de Lula para fortalecer discurso contra governo em votação de projeto de lei.

A oposição no Congresso Nacional aguarda com expectativa a decisão do governo do presidente Lula sobre a inclusão, de última hora, da proibição de presos votarem no projeto de lei antifacção. A medida, aprovada na última terça-feira (24), é vista pela oposição como uma potencial “armadilha” para o Executivo.

A emenda, proposta pelo partido Novo e aceita pelo relator do projeto, deputado Guilherme Derrite (PP-SP), visa criar um dilema para o governo. Se o presidente Lula optar por vetar o artigo, como é a tendência, a oposição pretende usar esse ato para reforçar o discurso de que o governo **defende criminosos** e se beneficia do voto de detentos.

Para tentar mitigar os possíveis danos políticos, o governo estuda argumentar que o artigo em questão é **inconstitucional**. A Constituição Federal estabelece que apenas presos com condenação definitiva perdem o direito ao voto. Além disso, o Executivo considera que, caso o dispositivo não seja vetado, ele certamente será derrubado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

O dilema do veto e a estratégia da oposição

A oposição vê na proibição do voto de presos uma oportunidade estratégica. Ao forçar um posicionamento do governo sobre o tema, buscam criar narrativas que desgastem a imagem do presidente Lula. A aprovação da emenda, que adiciona um capítulo à Lei de Organizações Criminosas, pegou o governo de surpresa, aumentando a pressão sobre a equipe presidencial.

Argumento de inconstitucionalidade como defesa

Fontes do governo indicam que o argumento principal para um possível veto será a **inconstitucionalidade** da medida. A legislação brasileira, em conformidade com a Constituição, restringe o direito ao voto de pessoas presas apenas àquelas com condenação transitada em julgado. A inclusão de presos provisórios ou sem condenação definitiva votando é uma questão já pacificada pelo STF.

Pressão e o futuro da votação de presos

A inclusão da proibição de presos votarem no projeto de lei antifacção adiciona uma camada de complexidade ao debate. A oposição aposta em um **veto presidencial** para explorar politicamente a situação, enquanto o governo busca uma saída jurídica que evite desgastes. A decisão final de Lula e a subsequente reação do Congresso e do Judiciário serão cruciais para definir os próximos passos.

O papel do STF na decisão

Independentemente da decisão de Lula, o Supremo Tribunal Federal (STF) provavelmente será acionado para decidir sobre a constitucionalidade do artigo. O tribunal já possui entendimento consolidado sobre o direito ao voto de presos, o que pode influenciar diretamente o desfecho dessa disputa política e jurídica.