PF desarticula esquema milionário de extração e lavagem de cassiterita ilegal
A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (19) a operação Trono de Ferro, que cumpriu 35 mandados judiciais em seis estados brasileiros. A ação visa desarticular uma organização criminosa especializada na extração e comercialização ilegal de cassiterita, um mineral valioso utilizado na indústria de ligas metálicas e eletrônicos.
As investigações revelaram que o grupo criminoso operava por meio de garimpos clandestinos, principalmente no Amapá, Roraima e até mesmo em áreas na Venezuela. O minério extraído ilegalmente era então inserido no mercado formal através de métodos fraudulentos, como o uso de permissões de lavra falsas e notas fiscais adulteradas.
A Justiça Federal determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 405 milhões em bens e valores pertencentes aos investigados. A operação resultou em 9 prisões preventivas, com 4 suspeitos detidos e 5 ainda foragidos. Conforme divulgado pela Polícia Federal, a ação foi bem-sucedida em descontinuar a atividade ilegal e o processo de “esquentamento” do minério, impedindo a entrada de cerca de 760 toneladas de cassiterita ilegal no mercado.
Ramificações da quadrilha em seis estados
Os mandados judiciais foram cumpridos em cidades de seis estados: Macapá (AP), Manaus (AM), São Paulo (SP), São João del-Rei (MG), Joinville (SC) e Boa Vista (RR). A abrangência da operação demonstra a complexidade e a capilaridade do esquema criminoso investigado pela PF.
Métodos fraudulentos para “esquentar” o minério
Segundo o delegado da Polícia Federal, Kalil Henrique, a organização utilizava diversas artimanhas para conferir uma aparência de legalidade à cassiterita extraída ilegalmente. O uso de permissões de lavra garimpeira falsas e a emissão de notas fiscais fraudulentas eram estratégias-chave para ocultar a origem do minério e lavar o dinheiro obtido com a atividade ilícita.
Impacto da operação e possíveis crimes
A operação Trono de Ferro é um marco no combate à mineração ilegal no Brasil. A PF estima que cerca de R$ 400 milhões em cassiterita ilegal foram inseridos no mercado. Os envolvidos na quadrilha poderão responder pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro e usurpação de bem da União, crimes com penas severas previstas na legislação brasileira.
Descontinuação da atividade criminosa
A ação desta quinta-feira foi crucial para interromper a atividade criminosa. O delegado Kalil Henrique destacou que a operação conseguiu descontinuar o “esquentamento” da cassiterita, prática que confere uma falsa licitude ao minério extraído de forma irregular. A pulverização da extração por diferentes estados, após uma atuação mais proeminente do poder público em terras indígenas, evidencia a adaptabilidade do grupo criminoso.