STF Afasta Prefeito de Coari em Operação Contra Corrupção e Desvio de Verbas Públicas
O Supremo Tribunal Federal (STF) determinou o **afastamento imediato do prefeito de Coari, Adail Pinheiro**, na última quarta-feira (16). A decisão drástica ocorreu durante a deflagração da “Operação Dinastia do Lago”, conduzida pela Polícia Federal (PF).
A operação investiga uma complexa engrenagem de **desvio de recursos públicos, fraudes em licitações, corrupção, peculato e lavagem de dinheiro** que teria se instalado na administração do município. Além do chefe do Executivo, a ação cumpriu mandados de busca, apreensão e afastamento contra secretários e outros servidores municipais.
As diligências foram realizadas simultaneamente em Coari e na capital, Manaus, com o objetivo de desarticular o núcleo operacional e financeiro da suposta organização criminosa. Conforme informação divulgada pela PF, a investigação teve como estopim uma apreensão de **R$ 1,25 milhão em dinheiro vivo** em maio de 2025, no Aeroporto Internacional de Brasília, com três empresários amazonenses.
O Rastro de Dinheiro Vivo e a “Caixa de Pandora” Aberta pela PF
A apreensão de R$ 1,25 milhão em espécie com empresários em Brasília abriu uma verdadeira “caixa de Pandora” para a Polícia Federal. A partir da quebra de sigilos bancários e da análise de equipamentos eletrônicos apreendidos, a PF conseguiu mapear o trânsito financeiro entre empresas que teriam sido supostamente favorecidas em licitações direcionadas e o grupo político de Coari.
O caso escalou para o STF devido ao cruzamento das apurações com autoridades que possuem foro privilegiado. A documentação anexada à investigação menciona não apenas o prefeito Adail Pinheiro, mas também seu filho, o deputado federal Adail Filho. Os investigadores buscam comprovar se o dinheiro público era escoado para o pagamento de propinas e qual era a engenharia utilizada para ocultar os destinatários finais dos valores.
TCU Revela Manobra de R$ 9 Milhões com “Emendas PIX” em Coari
O escândalo policial se aprofunda com uma devassa paralela conduzida pelo Tribunal de Contas da União (TCU) sobre o uso das chamadas “Emendas PIX”, que são transferências especiais sem vinculação prévia de destinação. O TCU detectou uma manobra financeira grave na Prefeitura de Coari.
Em uma auditoria que analisou repasses federais entre 2020 e 2024, o tribunal identificou que, entre julho e setembro de 2024, a gestão municipal transferiu mais de R$ 9 milhões, oriundos da Emenda Parlamentar nº 202437940002, da conta específica do repasse para contas bancárias genéricas da prefeitura. Essa manobra rompeu a trilha bancária, **dificultando o rastreamento do destino final do dinheiro** pelos órgãos de controle.
Diante da gravidade da situação, o TCU determinou a abertura de uma Tomada de Contas Especial (TCE) para exigir o ressarcimento aos cofres públicos e punir os responsáveis pela irregularidade. A investigação do TCU busca garantir a aplicação correta dos recursos públicos e a transparência na gestão municipal de Coari.