PF investiga esquema milionário de desvio de verbas que mira deputado Adail Filho e prefeito Adail Pinheiro no AM
A Polícia Federal deflagrou a Operação Dinastia do Lago, que investiga um esquema complexo de direcionamento de contratos, ocultação de propina e desvio de recursos públicos na Prefeitura de Coari, no interior do Amazonas. A ação tem como principais alvos o prefeito do município, Adail Pinheiro (Republicanos), e seu filho, o deputado federal Adail Filho (MDB).
A investigação, que apura crimes como corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, fraude em licitação, desvio de recursos públicos e peculato, revelou uma suposta atuação coordenada entre empresários e agentes públicos. O esquema teria envolvido empresas com contratos firmados com a prefeitura, direcionando concorrências públicas e movimentando quantias significativas de dinheiro que, segundo os investigadores, eram destinadas ao pagamento de vantagens indevidas.
Além dos contratos municipais, a apuração também abrange recursos federais enviados a Coari por meio de emendas parlamentares nos anos de 2024 e 2025. A Polícia Federal busca esclarecer o destino desses valores e verificar possíveis desvios. Conforme informações divulgadas pela PF, a análise de documentos e dispositivos apreendidos apontou movimentações financeiras suspeitas e possíveis ligações com os contratos investigados. O caso tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), com a PF responsável pelas diligências.
O funcionamento do esquema, segundo a PF
A investigação da Polícia Federal detalha que empresas ligadas ao grupo investigado mantinham contratos ativos com a Prefeitura de Coari. A suspeita central é de que essas empresas foram utilizadas para montar uma estrutura que permitisse o direcionamento de processos de contratação pública, favorecendo pessoas jurídicas vinculadas ao grupo.
A partir desses contratos, os investigadores identificaram movimentações financeiras que indicariam o pagamento de vantagens indevidas. A estrutura teria sido montada para ocultar a origem e os destinatários finais do dinheiro, utilizando pessoas jurídicas para dar uma aparência de legalidade às transações, dificultando a identificação dos beneficiários.
Emendas parlamentares sob suspeita
A apuração não se limita aos contratos firmados diretamente com a prefeitura. A investigação passou a analisar o destino de recursos federais provenientes de emendas parlamentares destinadas a Coari nos anos de 2024 e 2025. O objetivo é esclarecer se esses fundos foram desviados e qual teria sido a sua real destinação.
Análises de documentos e dispositivos eletrônicos apreendidos, autorizadas judicialmente, revelaram movimentações financeiras consideradas suspeitas. Essas movimentações, segundo os elementos da investigação, poderiam ter relação com os contratos mantidos pelas empresas investigadas, ampliando o escopo da apuração.
Apreensão de dinheiro em Brasília e o avanço da investigação
O ponto de partida para o avanço significativo da investigação ocorreu em maio de 2025, com a prisão em flagrante de três empresários no Aeroporto de Brasília. Cesar de Jesus Gloria Albuquerque, Erick Pinto Saraiva e Wagner Santos Moutinho foram detidos transportando aproximadamente R$ 1,25 milhão em espécie em um voo de Manaus para Brasília, sem apresentar comprovação da origem dos valores.
A partir dessa apreensão, documentos e aparelhos eletrônicos foram recolhidos e analisados sob autorização judicial. O material revelou movimentações financeiras suspeitas e possíveis conexões com contratos da Prefeitura de Coari, levando a investigação a aprofundar-se em possíveis fraudes em licitações, desvio de recursos públicos e movimentações financeiras ilícitas.
Bens apreendidos e declarações das defesas
Durante a operação, a Polícia Federal apreendeu cerca de R$ 990 mil em dinheiro, além de US$ 10 mil e € 1.255. Foram apreendidos também 21 veículos, sendo 11 em endereços ligados aos investigados em Manaus e 10 em Coari. Em Manaus, além dos carros, foram encontrados R$ 352.750, US$ 10 mil e € 1.255. Em Coari, foram apreendidos aproximadamente R$ 637.750 e 10 veículos. Imagens da operação também mostram relógios e joias entre os bens apreendidos.
A defesa do prefeito Adail Pinheiro e do deputado federal Adail Filho declarou ter recebido o cumprimento dos mandados com surpresa. O advogado Fabricio de Melo Parente considerou o afastamento do prefeito desnecessário e informou que buscará acesso aos autos para recorrer da decisão. A defesa ressaltou que o cumprimento de buscas não implica formação de culpa e que os investigados não são réus nem foram denunciados, confiando no esclarecimento dos fatos pelas instituições.