Lula em 2026: Desafios e vulnerabilidades moldam o cenário eleitoral
O presidente Lula (PT) se prepara para uma possível candidatura à reeleição em 2026, mas seu terceiro mandato já acumula desgastes significativos. Estes pontos de fragilidade são explorados pela oposição e podem ser cruciais na disputa eleitoral.
O endividamento recorde das famílias brasileiras, a persistente fila do INSS e investigações envolvendo seu filho, Lulinha, são alguns dos fatores que pesam contra o petista.
A economia, a resistência de segmentos religiosos e declarações controversas também entram no radar dos eleitores. Essas questões, detalhadas em pesquisas e análises, moldam a percepção pública sobre a gestão atual e o futuro político de Lula. Conforme informações divulgadas, estes são alguns dos pontos que podem influenciar o pleito de 2026.
Endividamento das Famílias Brasileiras Atinge Níveis Recordes
Um dos maiores obstáculos para a popularidade de Lula é o endividamento das famílias brasileiras, que bateu recorde durante o terceiro mandato. Dados do Banco Central indicam que os brasileiros comprometem, em média, 29% de sua renda para quitar dívidas financeiras, o maior percentual em pelo menos duas décadas. A inadimplência de consumidores chegou a 6,9%, um patamar não visto desde 2012, impulsionada principalmente pelo crédito rotativo do cartão de crédito.
Pesquisas como a do Datafolha revelam que dois em cada três brasileiros afirmam ter dívidas, e 45% vivem em situação financeira apertada ou severa. Entre os mais pobres, a inadimplência é ainda mais acentuada, superando 7,5% para quem ganha até três salários mínimos. Em resposta, o governo lançou uma nova versão do programa Desenrola, visando renegociar dívidas e melhorar a percepção econômica.
A economia, aliás, é vista como o principal problema do país por 14% dos brasileiros, segundo o Datafolha em julho, ficando atrás apenas da saúde (21%) e da violência (17%).
Evangélicos e Mulheres: Segmentos com Desafios para Lula
Lula ainda enfrenta resistência significativa no segmento evangélico. Uma simulação de segundo turno contra Flávio Bolsonaro (PL) mostra o presidente vencendo por 47% a 43%, mas, entre os evangélicos, o placar vira drasticamente a favor do candidato do PL, com 62% contra 29%. A dificuldade em contornar essa resistência é um ponto de atenção para a campanha.
No eleitorado feminino, Lula geralmente apresenta vantagem, mas seu histórico de declarações consideradas machistas pode pesar. Exemplos incluem chamar a diretora-geral do FMI, Kristalina Georgieva, de “mulherzinha”, e afirmar ter nomeado uma “mulher bonita” para “melhorar a relação” com o Congresso. O cenário é agravado pelo recorde de feminicídios em 2025, com ao menos 1.470 mulheres assassinadas, uma média de quatro por dia.
A composição dos ministérios também não favorece o discurso: com as saídas eleitorais, o número de mulheres em pastas ministeriais caiu de 10 para 8, em um total de 38 integrantes. A primeira-dama, Janja, atribuiu essa circunstância a acordos com partidos aliados que nem sempre indicam mulheres.
A Fila do INSS e a Sombra de Investigações Envolvendo Lulinha
A promessa de Lula de zerar a fila do INSS em 2022 tornou-se um problema eleitoral. No início de 2026, o estoque de solicitações atingiu a marca inédita de 3,1 milhões. Houve uma troca na presidência do instituto em abril, com a servidora de carreira Ana Cristina Viana Silveira assumindo a missão de acelerar a análise de benefícios.
Recentemente, o INSS divulgou que a fila caiu para 1,28 milhão de requerimentos. O adversário Flávio Bolsonaro incluiu em seu programa de governo um projeto sobre o tema, chamado “Brasil Sem Fila”.
Outro ponto de desgaste é o envolvimento do nome de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente, em investigações da Polícia Federal. A Operação Sem Desconto apura um esquema de fraudes que teria desviado cerca de R$ 6,3 bilhões de beneficiários do INSS. Embora Lulinha não tenha sido indiciado, teve sigilos quebrados a pedido da PF, e o STF autorizou a abertura de três inquéritos relacionados a ele, incluindo suspeitas de tráfico de influência.
A defesa de Lulinha nega qualquer participação nas fraudes. O próprio presidente Lula afirmou que, caso seu filho esteja envolvido, ele será investigado.
Dívida Pública em Alta e Questões de Idade e Saúde
A dívida bruta do Brasil fechou junho em 81,9% do PIB, o maior patamar desde a pandemia de Covid-19. Especialistas apontam que a desconfiança dos investidores em relação à política fiscal do governo é o principal problema, e não apenas a inflação. O governo atribui parte da deterioração aos juros altos do Banco Central e a fatores externos, mas críticos apontam a combinação de meta fiscal descumprida, receitas superestimadas e expansão de gastos.
A idade e a saúde de Lula também entram no debate. O presidente completará 81 anos na semana da eleição. Veículos internacionais, como a The Economist, já levantaram a questão de sua idade avançada para concorrer. Em contrapartida, o Guardian noticiou a estratégia de aliados em divulgar vídeos de Lula se exercitando como demonstração de disposição.
Seu principal adversário, Flávio Bolsonaro, tem 45 anos, e já explorou a diferença etária em declarações públicas. Lula, por sua vez, afirmou no ano passado que para ser candidato precisa estar “100% de saúde”.
Baixa Popularidade e Avaliação Negativa do Governo
Ao longo de seu mandato, Lula não conseguiu replicar os altos níveis de popularidade que possuía ao deixar a Presidência em 2010. A parcela de eleitores que considera seu governo ruim ou péssimo supera a dos que o avaliam como ótimo ou bom desde o final de 2024.
Pesquisa Datafolha de 21 de agosto indica que a avaliação negativa está em 41%, contra 33% de avaliação positiva. Os entrevistados que consideram a gestão regular somam 25%. Outro dado relevante é a taxa de aprovação, com 50% reprovando a gestão ante 47% que aprovam, evidenciando uma divisão arraigada no eleitorado.