Alemanha em Choque com Roubo Fantasma: Milhões Desaparecem de Banco e Autoridades Levam Mês para Agir

Nos últimos dias de 2025, um fim de semana tranquilo após o Natal foi palco de um dos assaltos a banco mais audaciosos e desconcertantes da história recente da Alemanha. Criminosos invadiram uma agência do banco Sparkasse em Gelsenkirchen, perfuraram uma parede com uma furadeira industrial e subtraíram o conteúdo de mais de 3.000 cofres, fugindo com milhões de euros e bens de valor inestimável.

O que torna este crime ainda mais inacreditável é o fato de que, por mais de um mês, as autoridades não conseguiram prender nenhum suspeito. O caso, descrito como o mais “espetacular” assalto em anos, levanta sérias questões sobre a segurança das instituições financeiras e a eficácia das forças policiais. Clientes que perderam economias de uma vida inteira, joias de família e objetos de valor expressam raiva, confusão e um profundo abalo na confiança.

O ministro do Interior da Renânia do Norte-Vestfália, Herbert Reul, forneceu detalhes cruciais sobre a investigação, buscando esclarecer como um crime de tamanha magnitude pôde passar despercebido por tanto tempo. As hipóteses incluem a possibilidade de envolvimento de pessoas de dentro do banco e falhas críticas nos sistemas de segurança. Conforme informações divulgadas pelas autoridades alemãs, a investigação segue em andamento, com apelos por testemunhas que possam auxiliar na identificação dos criminosos.

A Invasão Silenciosa e o Alarme Ignorado

Acredita-se que os ladrões tenham acessado a agência da rua Nienhofstrasse através de um estacionamento adjacente. A hipótese é que tenham conseguido **impedir que uma porta de saída, que normalmente não abriria pelo lado de fora, fechasse corretamente**, garantindo assim acesso irrestrito ao prédio. Uma vez dentro, burlaram diversos sistemas de segurança até chegarem a uma sala de arquivos vizinha à caixa-forte no subsolo.

Foi ali que a furadeira industrial entrou em ação, abrindo um buraco de 40 cm de largura na parede, dando acesso direto aos cofres. A ação ocorreu entre o sábado, 27 de dezembro, e a segunda-feira, 29 de dezembro de 2025. Curiosamente, momentos antes de acessarem os cofres, um alarme de incêndio foi acionado no banco, proveniente da própria caixa-forte, por volta das 6h do dia 27.

No entanto, o corpo de bombeiros, acionado juntamente com uma empresa de segurança privada, não conseguiu acessar a área devido a uma porta de aço de enrolar. Sem sinais visíveis de fumaça, cheiro de fogo ou danos, os bombeiros concluíram que se tratava de um **alarme falso**, o que, segundo Herbert Reul, não era incomum. Para uma revista completa, a polícia precisaria de um mandado, e a prerrogativa de ação naquele momento era dos bombeiros.

A Descoberta do Caos e a Perda Incalculável

Uma vez dentro da caixa-forte, os criminosos arrombaram quase todos os 3.250 cofres. Os sistemas do banco indicam que o primeiro cofre foi aberto às 10h45 do dia 27 de dezembro e o último às 14h44, embora não esteja claro se todos foram abertos nesse intervalo ou se os registros pararam.

Testemunhas relataram ter visto homens carregando sacolas grandes na escadaria do estacionamento durante a noite de 28 de dezembro. A polícia ainda não sabe o valor exato roubado, mas a imprensa alemã estima o prejuízo em até **100 milhões de euros**, aproximadamente R$ 618 milhões.

As câmeras de segurança do estacionamento registraram homens com rostos cobertos e dois veículos: um Audi RS 6 preto e um Mercedes Citan branco, ambos com placas falsas. O roubo só foi descoberto na manhã de 29 de dezembro, quando um segundo alarme de incêndio levou os bombeiros de volta ao local, revelando uma cena de destruição.

Repercussões e a Busca por Justiça

Herbert Reul descreveu a cena como um “lixão”, com mais de 500 mil itens espalhados pelo chão, muitos danificados por água e produtos químicos. A polícia trabalha na identificação dos itens e seus proprietários. Cerca de 200 clientes se reuniram em frente à agência, clamando por acesso e informações.

Joachim Alfred Wagner, 63 anos, é um dos clientes que entraram com um processo contra o banco, alegando **segurança negligente**. Ele perdeu dezenas de milhares de euros em ouro, além de joias de família, acreditando que seus bens estavam seguros após ter seu apartamento arrombado diversas vezes.

O banco Sparkasse informou que o conteúdo de cada cofre geralmente é segurado em até 10.300 euros (cerca de R$ 64 mil), e que suas instalações eram protegidas com tecnologia de ponta. Contudo, a falta de recibos oficiais para muitos clientes dificulta a identificação do que foi levado. Herbert Reul ressaltou que o dano psicológico é imensurável, afetando a confiança na segurança pessoal e na própria ordem social.

O chefe de polícia Tim Frommeyer classificou o caso como um dos maiores da história do estado, reconhecendo o profundo impacto financeiro, a incerteza e a frustração gerados. O incidente também ganhou contornos políticos, com o partido Alternativa para a Alemanha (AfD) realizando um comício em frente ao banco, o que gerou acusações de incitação a problemas. A revista Der Spiegel apontou o roubo como um símbolo da falha das instituições e da sensação de que as promessas de segurança são vazias.