Naufrágio no Amazonas: buscas por desaparecidos já percorreram mais de 200 quilômetros em rios
As buscas pelas cinco pessoas desaparecidas após o naufrágio de uma lancha na sexta-feira (13) no Amazonas continuam intensas. As equipes do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas já percorreram mais de 200 quilômetros pelos rios Negro e Solimões, em uma operação que segue sem prazo para ser encerrada.
A operação mobiliza diariamente entre 70 e 80 militares, incluindo mergulhadores e especialistas em salvamento aquático. As buscas envolvem varreduras de superfície, mergulhos e o uso de equipamentos como sonares de imagem e detectores de metal, com o objetivo principal de localizar os desaparecidos.
A região do acidente, conhecida como Encontro das Águas, apresenta desafios significativos devido às diferenças de velocidade e densidade da água, além de fortes correntes e troncos. Essas condições dificultam o trabalho de mergulho e aumentam os riscos para as equipes. Conforme informação divulgada pelo Corpo de Bombeiros, o foco principal segue sendo a localização das pessoas desaparecidas, embora a embarcação também esteja sendo procurada.
Desafios e Reforços nas Buscas
O comandante-geral do Corpo de Bombeiros, coronel Orleilso Muniz, destacou o avanço de mais de 200 quilômetros a partir do ponto do naufrágio. Nesta quinta-feira, 14 embarcações atuam simultaneamente, com apoio de barcos cedidos pela empresa proprietária da lancha, além de embarcações dos Bombeiros, Polícia Militar e Defesa Civil. A complexidade do Encontro das Águas, onde o Rio Negro e o Rio Solimões se encontram, adiciona dificuldades às operações de busca.
Vítimas e Investigação do Naufrágio
Até o momento, três mortes foram confirmadas. Os corpos de Samila de Souza, de 3 anos, e Lara Bianca, de 22 anos, foram encontrados no dia do naufrágio. Na segunda-feira (16), o corpo do cantor gospel Fernando Garcêz foi localizado. A falta de uma lista oficial de passageiros, que teria se extraviado com a embarcação, tem sido um fator que exige um trabalho cuidadoso das equipes de busca, que se baseiam em registros de pessoas oficialmente reclamadas por familiares.
O naufrágio ocorreu por volta das 12h30 de sexta-feira (13). As causas ainda estão sendo investigadas. Segundo os bombeiros, 71 pessoas foram resgatadas sem ferimentos graves. Cinco adultos receberam atendimento médico e tiveram alta hospitalar.
Alertas e Prisões
O Corpo de Bombeiros e a Marinha do Brasil alertaram familiares e outras pessoas contra a realização de buscas por conta própria, devido aos riscos de novos acidentes. Há relatos de pessoas navegando sem equipamentos de segurança e conhecimento técnico adequado. O comandante da lancha, José Pedro da Silva Gama, 42 anos, foi preso em flagrante, pagou fiança e responderá por homicídio culposo. A Justiça solicitou sua prisão preventiva, mas ele está foragido.
Apoio e Continuidade das Buscas
O Grupamento de Bombeiros Marítimo (GBMar) de São Paulo enviou um reforço de seis bombeiros militares para auxiliar nas buscas. A Marinha do Brasil também mantém equipes dedicadas, com o emprego de aeronaves, embarcações e lanchas. As buscas continuam tanto na área do acidente quanto nas margens dos rios, com o objetivo de localizar os desaparecidos e auxiliar na apuração do caso.