Buscas intensificadas no Amazonas após naufrágio de lancha com mais de 70 pessoas a bordo

As operações de busca pelas vítimas do naufrágio da lancha de transporte Lima de Abreu XV, que ocorreu na sexta-feira (13) em Manaus, já percorreram mais de 10 km. O comandante-geral do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas, coronel Muniz, classificou a missão como “uma das operações mais complexas” já enfrentadas pela corporação.

A embarcação, que saiu de Manaus com destino a Nova Olinda do Norte, transportava 71 pessoas. Até o momento, duas mortes foram confirmadas, incluindo uma criança e uma jovem de 22 anos. Sete pessoas continuam desaparecidas, enquanto 71 foram resgatadas com vida. A dificuldade nas buscas é acentuada por fatores como as fortes correntes do Encontro das Águas e a grande profundidade do local.

Conforme informação divulgada pelo Corpo de Bombeiros, os fatores hidrodinâmicos do Encontro das Águas, um famoso fenômeno natural amazônico onde os rios Negro e Solimões correm lado a lado sem se misturar, dificultam significativamente os trabalhos. A Marinha do Brasil também mantém equipes dedicadas à operação, empregando aeronaves, embarcações e mergulhadores.

Complexidade das buscas no Encontro das Águas

O coronel Muniz detalhou os desafios enfrentados pelas equipes. “Fatores hidrodinâmicos do Encontro das Águas interferem muito nas operações de busca. Nós temos mudanças de direcionamento das correntes de arrasto, principalmente do Rio Solimões, que tem uma correnteza mais forte. Nós temos diferença de densidade de temperatura no Encontro das Águas. A profundidade é muito grande também. Isso é um complicador para as operações”, explicou o comandante.

Para auxiliar nos trabalhos, o Grupamento de Bombeiros Marítimo (GBMar) do Estado de São Paulo enviou um reforço com seis bombeiros militares, incluindo um capitão. As buscas contam com equipamentos subaquáticos avançados, como ROV (veículo operado remotamente), Sonar Side Scan e Detector de Metal Próton 5, visando identificar a localização exata da embarcação antes dos mergulhos.

Expectativa de novas localizações e investigação do caso

O comandante ressaltou que, após 48 horas do naufrágio, aumenta a possibilidade de os corpos boiarem, caso tenham sido afogados. “Existe a possibilidade real. E é nesse sentido que nós vamos aumentar as equipes de busca em superfície”, afirmou Muniz. Sobre um possível corpo encontrado no domingo, ele esclareceu que apenas o Instituto Médico Legal (IML) pode confirmar a identificação e a relação com o naufrágio.

A lista de desaparecidos ainda não pode ser divulgada oficialmente, pois o documento com os nomes dos passageiros foi extraviado durante o naufrágio. O acidente ocorreu por volta das 12h30 de sexta-feira, e vídeos mostram pessoas, incluindo crianças, aguardando socorro em botes salva-vidas.

Comandante da lancha liberado após fiança, mas Justiça pede prisão preventiva

O comandante da lancha, identificado como José Pedro da Silva Gama, de 42 anos, foi preso em flagrante, mas liberado após o pagamento de fiança. Ele responderá por homicídio culposo. No entanto, a Justiça solicitou sua prisão preventiva no sábado (14). A Marinha do Brasil segue com as buscas, empregando diversos recursos para cobrir a área do acidente e as margens dos rios, além de coletar dados dos sobreviventes para auxiliar na apuração do caso.