MPAM Investiga R$ 366 Milhões em Tabatinga: Saques Misteriosos e Transferências para Vice-Prefeito e Policiais
O Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM) abriu um inquérito civil para investigar movimentações financeiras atípicas que somam mais de R$ 366 milhões em Tabatinga, interior do Amazonas. A apuração foca em uma empresa que recebeu recursos públicos e levanta suspeitas de desvio de dinheiro, enriquecimento ilícito e direcionamento de licitações.
A investigação abrange contratos entre a Prefeitura, fundos municipais e a Câmara Municipal, ocorridos entre março de 2017 e novembro de 2025. O procedimento, formalizado pela 1ª Promotoria de Justiça de Tabatinga, baseia-se em um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) e em análise técnica especializada em combate à lavagem de dinheiro.
Segundo os documentos, a empresa André Almeida da Silva Comércio – ME teria recebido pagamentos incompatíveis com seu faturamento declarado. O MPAM busca esclarecer a origem e o destino desses recursos, além de possíveis irregularidades em contratos e transferências bancárias. Conforme informação divulgada pelo MPAM, a apuração busca sanar dúvidas sobre o uso de verbas públicas.
Saques em Dinheiro Vivo e Transferências Suspeitas
Um dos pontos cruciais da investigação são os repetidos saques em dinheiro vivo, no valor de R$ 49 mil, próximo ao limite de R$ 50 mil que exige comunicação aos órgãos de controle. A análise do MPAM sugere que essas operações podem ter sido fracionadas para evitar a detecção. Essa hipótese será detalhadamente apurada durante o inquérito.
Além disso, foram identificadas transferências bancárias da empresa para pessoas sem vínculo comercial aparente. Entre os beneficiários citados no relatório de inteligência financeira estão o atual vice-prefeito de Tabatinga, Edvaldo Paulo da Silva, sua esposa que é servidora pública municipal, integrantes das forças militares e um investigador da Polícia Civil do Amazonas. Esses repasses levantam sérias questões sobre a legalidade das transações.
Abrangência da Investigação e Próximos Passos
A apuração do MPAM abrange recursos pagos pela Prefeitura de Tabatinga, Fundo Municipal de Saúde, Fundo Municipal de Educação, Fundo Municipal de Assistência Social e pela Câmara Municipal. O Ministério Público optou por separar os procedimentos conforme os órgãos envolvidos, mantendo o inquérito principal focado na Prefeitura e na empresa investigada.
As movimentações relacionadas à Câmara Municipal e ao Fundo Municipal de Assistência Social serão examinadas em procedimentos próprios. Já os recursos dos fundos de Saúde e Educação foram encaminhados à 2ª Promotoria de Justiça de Tabatinga. O MPAM requisitou à Prefeitura planilhas detalhadas de contratações e pagamentos à empresa, incluindo datas, valores e responsáveis pelas despesas.
A Junta Comercial do Estado do Amazonas (JUCEA) foi acionada para fornecer o cadastro completo da empresa. O Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM) também foi contatado para informar sobre auditorias e fiscalizações relacionadas aos contratos. Paralelamente, a Delegacia Especializada em Combate à Corrupção (DECCOR) instaurou um inquérito policial para apurar possíveis crimes e lavagem de dinheiro, complementando a investigação do MPAM.