MDB intensifica convite a Rodrigo Pacheco com aval de Lula para 2026
A ala governista do MDB, encorajada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, intensificou os convites para que o ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), se filie ao partido. O objetivo principal é construir uma candidatura forte de Pacheco ao Governo de Minas Gerais e, em paralelo, consolidar uma aliança nacional com o PT para as eleições presidenciais de 2026.
Após uma conversa com Lula na última terça-feira (24), dirigentes do MDB entraram em contato com Pacheco, solicitando uma definição sobre sua filiação até o final da semana. A sigla argumenta oferecer uma estrutura mais robusta para a disputa pelo Palácio Tiradentes, em Belo Horizonte, principal meta política para o senador.
Apesar da pressão do MDB, Pacheco ainda não descartou a possibilidade de se filiar ao PSB. O próprio presidente Lula já manifestou anteriormente que considera o MDB a melhor opção política para o senador. Desde que anunciou sua saída do PSD no ano passado, Pacheco tem sido disputado por MDB, PSB e União Brasil, mas as negociações se concentram nos dois primeiros.
Pacheco em impasse: MDB ou PSB, a decisão se aproxima
Com o prazo para mudança de partido se esgotando, Rodrigo Pacheco tem reiterado que sua decisão ainda não está tomada. Ele filiou aliados de Minas Gerais ao PSB e tem confidenciado a pessoas próximas que vê a sigla como um caminho político promissor. Na quarta-feira (25), o senador participou de um jantar com membros do PSB, um encontro que foi interpretado pelo grupo como um selamento de acordo.
Durante o jantar, o presidente nacional do PSB, João Campos (PE), o presidente mineiro, Otacílio Costa, e o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), reforçaram o convite para que Pacheco se junte ao partido. No entanto, no MDB, Pacheco ainda enfrenta ressalvas de parte da direção, que se mostra inclinada a permitir que os diretórios estaduais apoiem candidaturas alinhadas a Lula ou ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa presidencial. Apesar disso, a bancada emedebista no Senado demonstra forte interesse em contar com o colega.
Aliança nacional e o papel estratégico de Minas Gerais
A filiação de Pacheco ao MDB é vista por aliados de Lula como uma forma de ampliar as chances de uma aliança formal com o partido na disputa presidencial. O presidente estaria empenhado em contar com o MDB para sua reeleição. Na noite de terça-feira, em reunião no Palácio do Planalto, Lula e dirigentes do MDB discutiram as alianças estaduais do partido, avaliando como os diretórios se posicionariam diante de uma união com o PT na corrida presidencial.
Dirigentes do MDB apontaram a necessidade de intervenção direta de Lula em algumas unidades da federação para a costura de acordos, citando a Bahia e o Maranhão como exemplos de situações que exigem ação presidencial. A relação entre os partidos na Bahia foi descrita como conflituosa. A busca por um palanque forte em Minas Gerais é um dos principais focos de Lula, que chegou a pedir aos petistas que suspendessem conversas sobre um plano B no estado e também recorreu ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para convencer Pacheco a concorrer. Minas Gerais, como o segundo maior colégio eleitoral do país, é considerado fundamental para a reeleição de Lula.
Pacheco condiciona candidatura a Minas ao alinhamento político de Lula no estado
Rodrigo Pacheco tem afirmado que sua decisão sobre a candidatura ao Governo de Minas Gerais está atrelada ao alinhamento do campo político de Lula no estado. Isso inclui nomes como o ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PDT), a ex-prefeita de Contagem e pré-candidata ao Senado, Marília Campos (PT), o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silva (PSD), e o ex-presidente da Câmara de Belo Horizonte, Gabriel Azevedo (MDB). Azevedo, inclusive, colocou seu nome à disposição do MDB para a candidatura ao governo mineiro.