Jornalista esportivo Mauro Beting acredita que a Seleção Brasileira tem potencial para alcançar a semifinal da Copa do Mundo, mas ressalta os obstáculos que a equipe e outras seleções enfrentarão no torneio.

Mauro Beting, renomado jornalista esportivo, compartilhou sua projeção para a Seleção Brasileira na próxima Copa do Mundo. Em sua análise, ele aponta para a **semifinal como um objetivo alcançável**, mas não sem antes destacar uma série de desafios que tornarão o torneio particularmente exigente para todas as equipes participantes.

O cenário da Copa deste ano, segundo Beting, será marcado por um **calor intenso**, um número elevado de jogos e as consequências de um calendário cada vez mais apertado no futebol mundial. Esses fatores, combinados, podem levar a um desgaste físico considerável nos atletas, impactando o desempenho.

“Eu acho que lá (Estados Unidos), apesar do calor, vai ser a Copa mais quente, apesar de você ter oito jogos e esse calendário intenso, insano no Brasil e no mundo, que vai ter muita gente “estrupiada” chegando à Copa ou estourando muscularmente de cabeça na Copa”, afirmou Mauro Beting no programa CNN Esportes S/A.

Mudanças constantes no comando técnico e o reflexo no desempenho

Um dos pontos levantados por Beting para explicar a dificuldade da Seleção Brasileira em engrenar, mesmo com talentos individuais, é a **instabilidade no comando técnico** durante o ciclo da Copa. Ele citou as diversas trocas de treinadores, incluindo interinos e efetivados, como um fator que prejudica a construção de um trabalho sólido e de longo prazo.

“Nesse ciclo de 2022 para cá, lembrando que é o menor ciclo de Copas, vai dar três anos e meio, a gente teve o Ramon, que era interino, a gente teve o Fernando Diniz, que era um interino efetivado, tivemos um definitivo que foi interinizado, que foi o Dorival Junior, e agora o plano A, que chegou depois de quase três anos, o Ancelotti, que é uma excelente escolha. Então já começa essa bagunça”, explicou o jornalista.

Lições do passado: 2002 e a força das estrelas

Para ilustrar a complexidade de se montar uma equipe vencedora, Mauro Beting fez um paralelo com a Copa de 2002, quando o Brasil conquistou o pentacampeonato. Naquela ocasião, a Seleção também passou por mudanças de treinadores, mas contou com uma **geração de ouro de jogadores**, muitos dos quais sequer foram convocados para o torneio final.

“Em 2002, o Brasil teve quatro treinadores. E desses quatro treinadores, eles convocaram 104 jogadores para 18 jogos. Luxemburgo, Candinho, Leão e o Felipão. E a gente quase não classifica, porque eram menos vagas. O Brasil foi eliminado de uma Copa América por Honduras. Foi o final do poço”, relembrou Beting.

Ele ainda citou nomes como Romário, Amoroso, Alex, Djalminha, Sonny Anderson, Elber e Emerson como exemplos de craques que ficaram de fora da lista final em 2002, evidenciando a vasta quantidade de talento disponível naquele período, algo que, em sua visão, o Brasil não possui mais em igual medida.

França como referência e o futuro de Neymar

Mauro Beting também elogiou a força da seleção da França, destacando a quantidade de talentos que a equipe possui, mesmo dependendo de estrelas como Mbappé. Ele ressaltou a presença de outros jogadores de alto nível, como Olise e Dembélé, contrastando com a percepção de que o Brasil já não dispõe de tantas opções.

Durante a entrevista, o jornalista também abordou a questão da presença de Neymar na Copa do Mundo, indicando que, em sua opinião, o craque deve ser convocado. Ele também discorreu sobre o momento atual do futebol, classificando-o como um grande “negócio” devido ao volume financeiro envolvido na indústria esportiva.