Polícia Civil recupera carga milionária de fibra óptica desviada em Manaus
Uma operação policial em Manaus resultou na apreensão de cerca de 12 toneladas de suprimentos de informática, incluindo mais de 10 mil quilômetros de cabos de fibra óptica e mil roteadores. A carga, avaliada em milhões, foi obtida através de um complexo esquema de fraude comercial que lesou uma empresa do setor em Santa Catarina.
As investigações apontam que o grupo criminoso atuava simulando compras pela internet, utilizando dados de cartões clonados e boletos falsos para enganar fornecedores de outros estados. A Polícia Civil já vinha monitorando a atuação da quadrilha, que utilizava galpões alugados em Manaus para receber e desviar rapidamente as mercadorias.
Três homens foram detidos e estão prestando esclarecimentos à polícia, suspeitos de alugar o imóvel utilizado para o recebimento da mercadoria. A ação é um desdobramento de outra investigação que, há cerca de um ano, já havia desarticulado uma quadrilha similar, recuperando duas toneladas de produtos desviados. As autoridades continuam em busca de outros envolvidos no esquema.
Golpe Milionário: Como Funcionava a Fraude
Conforme detalhado pela Polícia Civil, o método criminoso envolvia a simulação de negociações legítimas. Inicialmente, o grupo realizava compras menores, pagando corretamente para construir uma relação de confiança com os fornecedores. Após estabelecerem essa credibilidade, solicitavam pedidos de grande volume, muitas vezes ultrapassando R$ 300 mil.
Para efetuar esses pagamentos fraudulentos, utilizavam cartões de crédito clonados ou apresentavam comprovantes falsos de pagamento via boleto. A estratégia visava que as empresas enviassem os produtos antes de qualquer suspeita, pois a fraude só era descoberta quando os pagamentos eram cancelados ou não compensados, gerando um prejuízo considerável para os vendedores.
Fachadas e Boletos Falsos: Ferramentas do Crime
Para dar uma aparência de legalidade ao recebimento das mercadorias, os criminosos alugavam galpões por curtos períodos, montando fachadas com nomes de empresas reais ou fictícias. Essa manobra permitia a retirada rápida dos produtos antes que a fraude fosse identificada pelas empresas lesadas.
Em uma evolução do golpe, o grupo passou a emitir boletos falsos utilizando documentos de empresas fraudulentas, o que aumentava o tempo necessário para que a fraude fosse detectada. A Polícia Civil orienta proprietários de imóveis a terem cautela ao alugar espaços para armazenamento de grandes cargas, especialmente em negociações urgentes.
Denúncias e Continuidade das Investigações
A Polícia Civil reforça a importância da colaboração da população e disponibiliza canais para denúncias anônimas. Informações sobre o caso podem ser repassadas pelo disque-denúncia 181, da Secretaria de Segurança Pública, ou pelo WhatsApp do 1º DIP: (92) 99118-9177. As investigações seguem para identificar todos os envolvidos e recuperar eventuais outras cargas desviadas.