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Política

Flávio Bolsonaro: A Tática de Moderação que Escorrega em Pontes com o Bolsonarismo e o Passado Político do “01”

Flávio Bolsonaro: A Tática de Moderação que Escorrega em Pontes com o Bolsonarismo e o Passado Político do “01”

A busca por um eleitorado mais amplo: Flávio Bolsonaro aposta na moderação enquanto seu passado e o projeto bolsonarista levantam questionamentos

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tenta se firmar como um pré-candidato à Presidência com um perfil moderado, buscando se diferenciar do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. A estratégia visa atrair um eleitorado maior, mas enfrenta obstáculos significativos, conforme apontam especialistas e o próprio histórico político do senador.

Aliados de Flávio Bolsonaro apostam que seu estilo menos exaltado pode reduzir a rejeição, que, segundo pesquisa Datafolha, o coloca tecnicamente empatado com Lula. A ideia é apresentar “Flávio é Flávio e Jair é Jair”, mantendo a base bolsonarista e conquistando novos eleitores.

No entanto, estudiosos da extrema-direita e a própria esquerda veem limitações nessa estratégia. Para eles, a pré-candidatura de Flávio está intrinsecamente ligada a um projeto autoritário e seu passado político carrega o peso da visão de mundo bolsonarista. As informações são de reportagem divulgada pela Folha de S.Paulo.

A estratégia de “moderação”: encontros com o PIB e pautas sociais

A mudança de postura de Flávio Bolsonaro para um tom mais moderado começou no final do ano passado, com reuniões estratégicas com o setor produtivo em São Paulo. A tática se estendeu às redes sociais, com postagens direcionadas a grupos minorizados.

Em março, no Dia Internacional da Mulher, ele publicou um vídeo defendendo a ampliação de vagas em creches. No mês anterior, condenou ataques racistas ao jogador Vinicius Jr. Uma ilustração em inteligência artificial o retratou recebendo um beijo, com a legenda sugerindo apoio à liberdade sexual e de gênero, buscando desconstruir a imagem conservadora.

Essa abordagem, no entanto, não é inédita. Em 2016, ao se candidatar à Prefeitura do Rio, Flávio tentou se apresentar como uma versão polida do pai, mas obteve o quarto lugar, sem chegar ao segundo turno.

“Bolsonarismo moderado”: uma contradição em termos?

Cientistas políticos divergem sobre a viabilidade de um “bolsonarismo moderado”. Odilon Caldeira Neto, professor da UFJF, considera a expressão uma “contradição em termos”, pois o bolsonarismo se fundamenta na radicalização. Ele ressalta que a busca pelo centro é um imperativo para a pré-candidatura, mas seu sucesso dependerá de alianças e da recepção do público.

Mayra Goulart, da UFRJ, afirma que o extremismo é um elemento constitutivo da identidade de Flávio como filho de Bolsonaro, limitando sua capacidade de moderação. Ela explica que o bolsonarismo se distingue da direita moderada por atacar instituições, defender o patriarcado e ter uma definição de democracia que exclui o liberalismo.

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Thaís Pavez, da Latina Consultoria, aponta que a tentativa de “bolsonarismo moderado” já fracassou com Tarcísio de Freitas, que foi preterido na disputa presidencial. Pavez avalia que será “difícil equacionar as demandas da base bolsonarista com a imagem de moderado”, especialmente com Flávio mais exposto durante a campanha.

O passado de Flávio Bolsonaro: fidelidade à visão de mundo do pai

Apesar da tentativa de moderação, Flávio Bolsonaro nunca deixou de defender a visão de mundo de seu pai. Como deputado estadual, condecorou em 2005 o ex-PM Adriano da Nóbrega, suspeito de envolvimento em homicídios e líder de uma milícia, com a medalha Tiradentes, honraria recebida pelo homenageado dentro da prisão.

Em 2016, minimizou a homenagem de Jair Bolsonaro ao Coronel Brilhante Ustra, torturador da ditadura, durante a votação do impeachment de Dilma Rousseff. Mais recentemente, em entrevista ao programa Roda Viva, negou a tentativa de golpe de Estado de 8 de janeiro de 2023, comparando-a a “vender um terreno na lua”, por ser um “crime impossível”.

No ano passado, Flávio declarou à Folha que um candidato da direita deveria se comprometer a indultar o ex-presidente, usando a força se necessário para deter reações do STF. Ele negou, na ocasião, ter usado um tom de ameaça, mas a fala foi classificada como “golpista” por Gabriela Zancaner, professora de direito constitucional da PUC-SP, que alertou para a separação de poderes.

A reação da esquerda e a dissidência entre especialistas

A cúpula do governo já orientou a desconstrução da imagem moderada de Flávio Bolsonaro. A esquerda também tem buscado evidenciar as contradições entre o discurso atual e o histórico do senador.

Contudo, Adriano Gianturco, professor do Ibmec, diverge da visão predominante, argumentando que é possível o surgimento de um “bolsonarismo moderado”. Ele acredita que movimentos políticos podem, com o tempo, suavizar suas propostas iniciais e que “existem vários bolsonarismos”.

Gianturco questiona a ideia de que “metade da população é bolsonarista”, considerando-a um “espantalho”. Para ele, a maioria que vota em Bolsonaro pode não se identificar totalmente como bolsonarista, e os defensores de ditadura representam uma parcela minoritária.

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