Manaus: Paciente relata infecção grave e sequelas após cirurgia íntima em clínica investigada pela Polícia Civil
Uma paciente que se submeteu a uma cirurgia íntima, conhecida como ninfoplastia, em uma clínica de estética em Manaus, no Amazonas, denunciou ter sofrido complicações graves e negligência após o procedimento. O caso ganha destaque em meio a uma operação deflagrada pela Polícia Civil do Amazonas contra procedimentos cirúrgicos irregulares em clínicas na capital.
A mulher, que optou por não se identificar, buscou a clínica Esteticlin Muniz para tratar um desconforto físico, motivada por resultados divulgados pela clínica em redes sociais. No entanto, o que se seguiu foi um pesadelo que a levou a buscar atendimento de emergência e a conviver com sequelas permanentes.
O relato da paciente surge em um momento delicado para a rede de clínicas EstetiClin, que teve unidades nos bairros Adrianópolis e na Zona Leste de Manaus alvos de uma operação policial. Uma cirurgiã-dentista, proprietária da rede, foi intimada a prestar esclarecimentos às autoridades. Conforme informações divulgadas pelo g1, a paciente afirma que não realizou uma avaliação médica prévia sobre seu histórico de saúde antes da cirurgia.
Complicações e negligência médica no pós-operatório
Pouco tempo após a intervenção cirúrgica, a paciente começou a apresentar inflamação intensa e secreção na região operada. Segundo o relato, ao buscar suporte da profissional responsável, seus pedidos de ajuda foram ignorados. A situação se agravou a ponto de necessitar de atendimento de emergência no Hospital da Mulher.
No hospital, a equipe médica constatou a gravidade do quadro: a área estava dilacerada, altamente inflamada e com pus. Após meses de tratamento intensivo com medicamentos, a infecção foi controlada, mas a paciente alega ter ficado com sequelas permanentes, incluindo a perda de sensibilidade na região.
Operação policial investiga irregularidades em procedimentos estéticos
A Polícia Civil do Amazonas investiga as clínicas EstetiClin após suspeitas de que procedimentos cirúrgicos estavam sendo realizados de forma irregular. De acordo com a investigação, as clínicas anunciavam a cirurgia íntima como um procedimento a laser, sem cortes e puramente estético. No entanto, foi constatado que o equipamento utilizado, um laser de CO₂, é capaz de realizar incisões e causar lesões nos tecidos, configurando um ato cirúrgico.
A polícia também aponta que as cirurgias eram realizadas apenas pelas profissionais, sem uma equipe médica de apoio, e em salas consideradas inadequadas para procedimentos invasivos. Durante a operação, foram apreendidos equipamentos estéticos, aparelhos eletrônicos, documentos e medicamentos que auxiliarão nas investigações.
Clínica suspende atividades e se pronuncia sobre o caso
Em nota, a EstetiClin Muniz informou que suas atividades foram temporariamente suspensas devido a um procedimento de fiscalização. A clínica declarou estar colaborando com as autoridades e prestando todos os esclarecimentos solicitados, com o objetivo de retomar os atendimentos de forma regular e segura. A empresa ressaltou que, no momento, não tem acesso aos telefones e canais de atendimento, impossibilitando o contato com os pacientes.
A EstetiClin garantiu que nenhum paciente será prejudicado e que todos os atendimentos, procedimentos e valores pagos serão preservados. A clínica prometeu entrar em contato com todos os pacientes assim que os meios de comunicação forem restabelecidos para prestar as devidas orientações e informar sobre reagendamentos. A paciente, por sua vez, reuniu provas, incluindo receitas médicas, prontuários, registros visuais, conversas e um laudo pericial que confirma os danos sofridos.