Defesa de familiares de Djidja Cardoso contesta condenação por tráfico de cetamina e aponta falhas na investigação
A família de Djidja Cardoso, ex-sinhazinha do Boi Garantido, busca reverter a decisão da Justiça do Amazonas que condenou sua mãe, Cleusimar Cardoso Rodrigues, e seu irmão, Ademar Farias Cardoso Neto, por envolvimento em um esquema de tráfico de cetamina. A defesa alega que a sentença apresentou problemas na análise das provas e que um parecer técnico identificou falhas na condução da investigação.
A sentença, proferida na última quarta-feira (22), condenou um total de sete pessoas na Operação Mandrágora. As penas impostas aos familiares de Djidja variam entre 8 anos e 6 meses a 10 anos e 11 meses de prisão. A defesa pretende apresentar um recurso ao Tribunal de Justiça do Amazonas, argumentando que tais falhas podem levar à revisão da decisão judicial.
Conforme informações divulgadas, o parecer técnico contratado pela defesa aponta supostas irregularidades na coleta, armazenamento e análise de provas cruciais para o caso. Entre os pontos levantados estão questionamentos sobre a cadeia de custódia de celulares, equipamentos eletrônicos, exames toxicológicos e medicamentos apreendidos, com a alegação de falta de registros sobre lacração, armazenamento e identificação dos responsáveis pela guarda dos materiais. Esses questionamentos, segundo os advogados, comprometem a validade das provas apresentadas no processo, conforme relatado pela imprensa.
Detalhes da Condenação e Argumentos da Defesa
A Justiça do Amazonas condenou sete pessoas investigadas por integrarem um esquema de tráfico de cetamina em Manaus. A magistrada Roseane do Vale Jacinto Cavalcante, da 3ª Vara Especializada em Crimes de Uso e Tráfico de Entorpecentes (Vecute), foi responsável pela decisão. Segundo a sentença, o grupo teria utilizado a rede de salões de beleza Belle Femme e a seita religiosa “Pai, Mãe, Vida” para distribuir e aplicar a cetamina, substância de uso veterinário com efeitos alucinógenos, de forma indiscriminada.
A defesa, embora respeite as instituições e o Poder Judiciário, entende que a sentença não analisou corretamente as provas. Os argumentos detalhados serão apresentados nos autos do processo. A cetamina, originalmente um anestésico veterinário, era aplicada em humanos em doses consideradas perigosas, e testemunhas relataram episódios de cárcere privado e abusos sexuais durante a investigação.
Pena e Regime de Cumprimento
Cleusimar Cardoso Rodrigues, mãe de Djidja, foi condenada a 10 anos e 11 meses de reclusão em regime fechado, sendo apontada como a principal articuladora e líder da associação criminosa. Seu irmão, Ademar Farias Cardoso Neto, também recebeu a mesma pena e regime, sendo descrito como o “braço executivo” do grupo. José Máximo Silva de Oliveira, um veterinário, foi condenado a 10 anos e 4 meses de reclusão em regime fechado por ser o responsável pelo fornecimento da droga através de sua clínica veterinária.
Hatus Moraes Silveira, personal trainer, foi sentenciado a 10 anos e 5 meses de reclusão em regime fechado por atuar como intermediário e facilitador da logística. Verônica da Costa Seixas, gerente, recebeu pena de 10 anos de reclusão em regime fechado por auxiliar na aquisição e ocultação dos materiais. Sávio Soares Pereira, funcionário de clínica veterinária, foi condenado a 9 anos de reclusão em regime semiaberto por realizar negociações via WhatsApp.
Bruno Roberto da Silva Lima, ex-namorado de Djidja, pegou 8 anos e 6 meses de reclusão em regime fechado por participar da logística e incentivar o consumo da droga. Cleusimar e Ademar tiveram a prisão preventiva mantida, enquanto Verônica, Sávio e Bruno poderão recorrer em liberdade mediante o cumprimento de medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica.
Absolvições e Contexto da Morte de Djidja Cardoso
A Justiça absolveu três réus por falta de provas suficientes: Emicley Araújo Freitas, Claudiele Santos da Silva e Marlisson Vasconcelos Dantas. Djidja Cardoso, que faleceu em 28 de maio, foi encontrada com sinais de overdose e indícios do uso de cetamina injetável. O laudo preliminar do IML indicou edema cerebral como causa da morte, mas a principal linha de investigação da polícia aponta para uma possível overdose da substância. Frascos de cetamina e materiais relacionados foram encontrados enterrados no quintal e na lixeira da residência da ex-sinhazinha, conforme noticiado.