Lula e Flávio Bolsonaro trocam farpas sobre economia em primeiro debate presidencial do segundo turno
O primeiro embate televisivo entre os presidenciáveis do segundo turno, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), foi marcado por intensos debates sobre a economia brasileira. Lula buscou defender seu legado, enquanto Flávio Bolsonaro focou nas dificuldades financeiras enfrentadas pela população.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou conquistas em seus governos anteriores, como a obtenção de dois graus de investimento e a redução do risco país. Ele argumentou que seu modelo econômico prioriza a distribuição de renda e o fortalecimento das pequenas e médias empresas.
Por outro lado, Flávio Bolsonaro direcionou sua argumentação para o aumento do custo de vida, a dificuldade em colocar carne no freezer e o endividamento das famílias. Ele criticou o que chamou de gastos “desenfreados” do governo atual, que, segundo ele, pressionam os juros pagos pelos cidadãos. A informação foi divulgada pelo portal g1.
Lula defende legado e distribuição de riqueza
O presidente Lula expressou orgulho pelas duas conquistas de grau de investimento durante seus mandatos, enfatizando que o país possui baixo risco e está próximo de recuperar sua nota. Ele ressaltou o crescimento do PIB em 10,5% em seu primeiro governo e a retomada do avanço acima de 3% após seu retorno ao Planalto em 2023.
Para Lula, o caminho para a prosperidade passa por “fazer o dinheiro circular na mão das pessoas”. Ele defende que “muito dinheiro na mão de pouco significa pobreza e miséria, e pouco dinheiro na mão de muito significa distribuição de riqueza, distribuição de renda”.
O presidente também mencionou a Lei Geral da Pequena e Média Empresa e discutiu incentivos para Microempreendedores Individuais (MEIs) gerarem mais empregos e impulsionarem o crescimento. Lula ainda lembrou que herdou uma dívida de US$ 30 bilhões com o FMI e um país sem reservas, e que seu governo quitou o débito, acumulou US$ 270 bilhões em reservas e bancarizou 22 milhões de brasileiros.
Flávio Bolsonaro foca em custo de vida e dívida pública
Flávio Bolsonaro iniciou seu pronunciamento questionando diretamente os eleitores sobre a melhora ou piora de suas vidas, o aumento do preço dos alimentos e a frequência com que colocam carne no freezer. Ele atribuiu a queda de 2% nos juros futuros ao seu desempenho no primeiro turno.
O senador criticou a dívida pública de R$ 11 trilhões, classificando-a como “mais um recorde negativo”. Flávio prometeu que um eventual governo seu abriria espaço de mais de R$ 200 bilhões no Orçamento, que seriam usados para ajudar o governo a pagar sua própria dívida e, consequentemente, auxiliar o cidadão a quitar a sua.
Ele acusou a gestão atual de gastar “de forma desenfreada” para tentar a reeleição, o que, segundo ele, pressiona os juros pagos pelas famílias. “Essa dívida não é sua. Essa dívida é do atual governo, que gasta, gasta de uma forma desenfreada”, afirmou.
Flávio Bolsonaro propôs um programa de renegociação de dívidas e prometeu congelar a dívida de endividados por um ano, sem pagamento de boletos. Ele também garantiu financiamento de longo prazo a juros baixos, com parcelas reduzidas após o período de carência.
Troca de acusações e modelos econômicos em contraste
Em meio às trocas de acusações, Lula provocou Flávio Bolsonaro ao questionar se ele adotaria a política econômica do presidente argentino, Javier Milei, conhecida pelos cortes de gastos. “E o Milei? Vai pegar emprestada a motosserra do Milei? Responde”, insistiu o presidente.
Flávio, por sua vez, perguntou qual seria o modelo de Lula na economia. O presidente respondeu: “O meu. É o modelo em que a economia cresce e que tem o maior programa de inclusão social da história desse país.”
Escala 6×1 e produtividade em pauta
Flávio Bolsonaro mencionou a questão da escala 6×1, afirmando ter mudado de ideia após ouvir a população, mas ressaltou que a falta de segurança impediria os brasileiros de desfrutar da folga. “Não quero que seu dia de folga seja um pesadelo. Quero que você vá no supermercado e encha o seu carrinho de compra, que você consiga sair da sua dívida”, disse.
Lula rebateu, afirmando que Flávio nunca trabalhou e não conhece o mundo do trabalho. O presidente reconheceu que os preços estão altos, mas lembrou que a inflação era maior no governo Bolsonaro e que seu governo aumentou o salário mínimo acima da inflação.
Sobre produtividade, Lula destacou o crescimento do PIB da indústria e os investimentos em economia digital, com atração de data centers. Ele enfatizou a importância da formação de profissionais em engenharia e matemática para um “salto de qualidade”. Flávio Bolsonaro prometeu um programa de mobilidade social e a conexão entre governo e recursos humanos de empresas, sem detalhar como funcionaria.