A surpreendente virada de Lula em Osasco, um tradicional reduto petista, foi impulsionada por uma mobilização intensa focada em estudantes, idosos e moradores de bairros periféricos. A campanha montou barracas no calçadão e intensificou o contato com eleitores, revertendo a vantagem inicial de Bolsonaro.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conquistou a preferência dos eleitores de Osasco no segundo turno das eleições, superando o senador Flávio Bolsonaro (PL). No primeiro turno, Bolsonaro havia liderado na cidade com 45,46% dos votos, enquanto Lula obteve 43,34%. No entanto, a disputa final viu Lula alcançar 52,36% dos votos válidos, uma inversão significativa.
Essa reviravolta no município, localizado na Grande São Paulo, foi atribuída por militantes do PT a uma estratégia focada em segmentos específicos do eleitorado. Estudantes, idosos e residentes de áreas periféricas foram cruciais para a mudança de cenário, demonstrando a força da mobilização comunitária.
A campanha petista em Osasco buscou entender as razões da desvantagem inicial e identificou áreas com potencial de crescimento. Conforme Nelson Matias da Silva, presidente do diretório municipal do PT, a população demonstrou um grande interesse em participar, buscando informações e materiais de campanha ativamente. Essa informação foi divulgada pelo PT municipal.
Estratégia no Calçadão e Engajamento Voluntário
No popular calçadão de Osasco, conhecido por suas barracas de cachorro-quente, o PT estabeleceu cinco tendas para distribuir material de campanha, como adesivos, bandeiras e camisetas. Segundo o partido, a iniciativa contou com a participação de voluntários que não tinham ligação direta com a sigla, mas que se engajaram na causa.
“A própria população começou a nos procurar pedindo informações sobre como agir e participar. Também houve uma enorme busca por material. Nosso diretório ficou aberto todos os dias no segundo turno”, relatou Nelson Matias da Silva, presidente do diretório municipal do PT. A busca por participação e informação destacou o engajamento da comunidade local.
Foco nos Jovens e Idosos nas Redes Sociais
Layna Gonçalves, 27, membro da Juventude do PT e coordenadora de comunicação do partido em Osasco, ressaltou a importância do engajamento de idosos e estudantes. Ela explicou que o partido conseguiu convencer cerca de 30 mil pessoas em três semanas, invertendo uma diferença de 10 mil votos para mais de 20 mil à frente.
“Nas nossas redes sociais a gente teve uma demanda muito grande com estudantes secundaristas e universitários. No TikTok, a gente conseguiu pegar um pessoalzinho com mais de 60 que estava ali pedindo direcionamento e que queria votar de qualquer jeito no Lula”, afirmou Gonçalves. A estratégia digital alcançou públicos diversos.
Intensificação nas Periferias e Sinal de Esperança para 2028
O PT identificou que a votação de Lula ficou aquém do esperado em zonas eleitorais de bairros periféricos, como Mutinga, Rochdale e Munhoz Junior, no primeiro turno. Nas semanas finais da campanha, o partido intensificou ações nessas regiões, com carros de som e barracas em locais de grande circulação.
“São bairros vulneráveis onde a população sofre muito, principalmente nos setores da saúde e do transporte público”, explicou Nelsinho, como o dirigente partidário e ex-vereador é conhecido na cidade. A campanha buscou conectar-se com as demandas locais.
Nelsinho vê a vitória de Lula em Osasco como um sinal de esperança para a retomada da prefeitura em 2028. “Esse é o nosso próximo objetivo e, com a mobilização dessas semanas, acredito que podemos vencer as eleições municipais também”, declarou o dirigente. A projeção aponta para um futuro político otimista para o PT na cidade.