O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) classificou como “pirataria” a decisão do governo dos Estados Unidos de cobrar uma taxa de 20% sobre a carga transportada no Estreito de Ormuz. A declaração foi feita nesta segunda-feira (13/7), durante visita ao Instituto Mauá de Tecnologia, em São Caetano do Sul (SP).
“Ele [Donald Trump] fez um Twitter dizendo que vai desobstruir, mas cada navio que ele tirar do Estreito, o dono do petróleo tem que pagar 20% para ele. Isso, antigamente, se chamava pirataria”, afirmou Lula, em referência ao plano do presidente republicano de controlar a rota marítima estratégica no Oriente Médio.
A medida americana ocorre em meio à escalada de tensões entre EUA e Irã. Mais cedo, Trump havia declarado à emissora Fox que o Exército dos EUA iria “tomar” o Estreito de Ormuz, fechado desde fevereiro pela Guarda Revolucionária Iraniana após ataques que mataram o líder supremo do país, Ali Khamenei. O Irã já respondeu com ameaças de reagir “com firmeza” e atacar qualquer nação do Oriente Médio que auxilie os americanos.
Os EUA também anunciaram o restabelecimento “imediato” do bloqueio naval contra navios ligados ao Irã, alegando que a medida visa embarcações com origem, destino ou carga proveniente do país persa. A decisão encerra um memorando de entendimento que, desde junho, previa um cessar-fogo de 60 dias para negociações de paz.
Brasil em defesa do biocombustível
Na mesma agenda, Lula afirmou que o Brasil deveria liderar uma “briga mundial” em defesa do biocombustível nacional, em vez de deixar esse discurso nas mãos de Trump. O presidente ressaltou a necessidade de uma postura mais incisiva para promover a descarbonização da economia.
“Nós precisamos ser mais desaforados, falar mais grosso, nos apresentar em todos os fóruns possíveis, porque essa é uma briga que a gente não só pode ganhar, como deve ganhar”, declarou.
Lula também criticou o negacionismo climático de Trump e defendeu que o Brasil mostre ao mundo sua capacidade de produzir aço verde e emitir zero de gases de efeito estufa. As declarações ocorrem em um momento delicado para as relações comerciais, já que o governo americano deve anunciar em breve novas tarifas sobre exportações brasileiras, com base em investigação sobre práticas comerciais consideradas desleais.
O presidente estava acompanhado do vice-presidente Geraldo Alckmin e dos ministros Alexandre Silveira (Minas e Energia), Luiz Marinho (Trabalho), Guilherme Boulos (Secretaria-Geral), Leonardo Barchini (Educação) e Luis Rebelo (Ciência e Tecnologia).