Kremlin nega envolvimento na morte de Alexei Navalny e contesta acusações europeias

O Kremlin, porta-voz oficial do governo russo, expressou nesta segunda-feira (16) sua veemente rejeição às acusações feitas por cinco nações europeias, que apontam o governo da Rússia como responsável pelo envenenamento de Alexei Navalny, o proeminente opositor do presidente Vladimir Putin. Navalny faleceu em 2024, enquanto cumpria pena em uma unidade prisional no Ártico.

As acusações surgiram dias após a divulgação de um comunicado pelo governo do Reino Unido, com base em análises de amostras do corpo de Navalny. Segundo o comunicado, os cinco países europeus basearam suas alegações na detecção de uma toxina altamente perigosa, descrita como “toxina da rã-flecha”, que teria sido utilizada contra o opositor.

A resposta do Kremlin foi direta. O porta-voz Dmitry Peskov declarou: “Naturalmente, não aceitamos tais acusações. Discordamos delas. Consideramos que são tendenciosas e infundadas. E, de fato, as rejeitamos categoricamente”. A declaração reforça a posição russa de negar qualquer participação na morte de Navalny, cuja causa oficial permanece controversa.

A morte de Navalny e a versão oficial do Kremlin

A morte de Alexei Navalny, figura central na oposição a Vladimir Putin, completa dois anos nesta segunda-feira (16) e continua cercada de mistério e controvérsias. O Serviço Penitenciário Federal russo informou que Navalny passou mal durante uma atividade física e que os esforços médicos para reanimá-lo foram infrutíferos. Na época, o governo russo não divulgou a causa exata do óbito nem forneceu detalhes adicionais sobre o ocorrido.

A viúva de Navalny, Yulia Navalnaya, tem contestado ativamente a versão oficial apresentada pelas autoridades russas. Desde a morte do marido, ela tem se dedicado a apurar as circunstâncias que levaram ao seu falecimento, buscando esclarecimentos sobre o que realmente aconteceu.

O legado de Navalny como principal opositor político

Alexei Navalny era amplamente reconhecido como a figura de maior destaque na oposição ao líder russo Vladimir Putin. Sua trajetória política foi marcada pela luta contra a corrupção e pela defesa de ideais democráticos, conquistando uma base significativa de apoio popular ao longo dos anos.

Em janeiro de 2021, Navalny foi detido pelas forças russas após retornar da Alemanha, onde havia recebido tratamento médico após um suposto envenenamento. Ele foi sentenciado a cumprir pena de prisão até completar 74 anos, em processos que ele sempre alegou terem sido fabricados com o objetivo de afastá-lo da vida política e impedir sua atuação como oposição.

A saga judicial e os casos que marcaram a carreira de Navalny

A carreira política de Navalny foi pontuada por diversos inquéritos e condenações. Um dos casos mais notórios envolveu uma condenação por peculato na empresa madeireira estatal Kirovles. Embora o Tribunal Europeu de Direitos Humanos tenha considerado o processo arbitrário em 2016, não identificou motivação política na decisão. O caso foi retomado, e Navalny foi novamente condenado em 2017.

Outro processo significativo foi a acusação de fraude contra a subsidiária russa da empresa francesa Yves Rocher, na qual Navalny e seu irmão foram acusados de desviar 26 milhões de rublos. O Tribunal Europeu de Direitos Humanos, em 2018, declarou o processo injusto e a decisão dos juízes russos arbitrária, mas também não encontrou indícios de motivação política na condenação.

O misterioso envenenamento em 2020 e a suspeita de envolvimento estatal

Em agosto de 2020, Navalny passou mal durante um voo e o avião precisou fazer um pouso de emergência na cidade de Omsk. Ele foi levado para a UTI e, posteriormente, transportado para Berlim para tratamento. O governo alemão afirmou que Navalny foi envenenado com uma substância sofisticada conhecida como Novichok, o que intensificou as suspeitas de envolvimento do Estado russo. O Kremlin, na ocasião, negou qualquer participação.

Investigações posteriores sugeriram que o envenenamento pode ter ocorrido por meio de uma substância química introduzida na roupa íntima de Navalny. Ele próprio, após se recuperar, teria conseguido enganar um suposto especialista em armas que teria admitido o envenenamento. Mais uma vez, o governo russo refutou as acusações de envolvimento.