Kim Jong-un visita a China em momento de alta tensão na Coreia e após pedidos por um exército mais forte
O líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, realizou uma visita à China neste sábado (24), um movimento que não apenas dissipa rumores sobre seu estado de saúde, mas também ocorre em um contexto de crescente instabilidade na península coreana e após suas próprias declarações sobre a necessidade de um “exército mais forte” e uma “revolução militar”.
A viagem, conforme divulgado pelas mídias estatais de ambos os países, teve como ponto de entrada a cidade de Dandong, na fronteira entre as nações. Kim Jong-un atravessou a recém-inaugurada Nova Ponte do Rio Yalu, um projeto de 3 km destinado a impulsionar o comércio bilateral após um período de relações tensas e interrupções devido à pandemia de COVID-19.
A visita de Kim Jong-un à China e suas recentes declarações sobre a força militar norte-coreana foram divulgadas em um momento particularmente delicado, com a Coreia do Sul e os Estados Unidos monitorando atentamente os desenvolvimentos na região. Acompanhe os detalhes desta visita estratégica e suas implicações.
Visita estratégica e afastamento de boatos
A presença pública de Kim Jong-un na China, atravessando a nova ponte comercial, serviu para **silenciar definitivamente os boatos** que circulavam sobre sua suposta morte. Ele foi recebido por autoridades chinesas de alto escalão, incluindo o primeiro-ministro Li Qiang e o principal conselheiro político Wang Huning. Durante sua estadia, Kim visitou uma fábrica de automóveis local e o Memorial da Guerra da Coreia.
Esta visita estratégica à China, um dos poucos aliados de Pyongyang, acontece em um momento de **crescente tensão entre as Coreias**. A viagem também antecede o aniversário da entrada da China na Guerra da Coreia (1950-1953), um conflito que moldou profundamente as relações na região.
Pedidos por um exército mais forte e “revolução militar”
Na sexta-feira (24), um dia antes de sua chegada à China, Kim Jong-un participou de uma reunião com oficiais de suas Forças Armadas. Durante o encontro, ele enfatizou a necessidade de construir um “exército mais forte” e acelerar uma “revolução militar ao estilo coreano”, treinando as companhias mais capazes. Essas declarações, transmitidas pela mídia estatal KRT, aumentaram a preocupação com uma possível escalada das tensões na península coreana.
As palavras de Kim Jong-un ecoam as recentes ações e declarações de sua irmã, Kim Yo Jong. Há cinco dias, ela indicou que a Coreia do Norte estaria considerando o envio de armamento tático adicional e a **retomada das transmissões por alto-falantes** na fronteira com a Coreia do Sul. Ela classificou a situação regional como “instável” e acusou os vizinhos de ameaçarem os militares norte-coreanos.
Testes de mísseis e escalada militar
A Coreia do Norte tem intensificado suas atividades militares, aumentando a apreensão internacional. Recentemente, o país anunciou o teste de dois tipos de mísseis de cruzeiro lançados de submarinos em sua costa leste. Em resposta, o governo sul-coreano também revelou o teste bem-sucedido de seu primeiro míssil hipersônico desenvolvido integralmente pelo país.
A Casa Azul, a sede da presidência sul-coreana, confirmou estar monitorando de perto a visita de Kim Jong-un à China, evidenciando a importância diplomática e estratégica deste encontro em um cenário global já marcado por incertezas e conflitos. A relação entre Coreia do Norte e China, historicamente complexa, ganha novos contornos com este movimento de Kim Jong-un.