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Política

Kassio Nunes Marques nega busca contra ACM Neto em operação da PF sobre fraude em licitações de BH

Kassio Nunes Marques nega busca contra ACM Neto em operação da PF sobre fraude em licitações de BH

Kassio Nunes Marques nega busca contra ACM Neto em operação da PF sobre fraude em licitações de BH

O ministro do Supremo Tribunal Federal, Kassio Nunes Marques, negou o pedido da Polícia Federal para realizar buscas contra ACM Neto, candidato ao governo da Bahia, em uma operação que investiga suspeitas de fraude em licitações na Prefeitura de Belo Horizonte. A decisão surge em meio a desdobramentos da Operação Overclean, que já atingiu diversos políticos e empresários.

A solicitação para investigar ACM Neto foi feita em janeiro, antes do início oficial da campanha eleitoral, e contava com o aval da Procuradoria-Geral da República (PGR) desde fevereiro. No entanto, o ministro Kassio Nunes Marques, relator do caso, considerou que não havia justificativas suficientes para a medida extrema naquele momento, nem indícios diretos que conectassem o candidato baiano às irregularidades apuradas.

A operação, em sua décima fase, foca em suspeitas de direcionamento de licitações e superfaturamento em contratos para fornecimento de serviços e materiais didáticos na capital mineira, totalizando mais de R$ 80 milhões. A decisão do STF em negar a busca contra ACM Neto foi vista pelo próprio candidato como uma tentativa de interferir na eleição baiana através de “vazamentos seletivos”, conforme declarou em nota oficial. A Polícia Federal cumpre nesta quinta-feira (17) 24 mandados de busca e apreensão em diversos estados do país.

Operação Overclean investiga esquema milionário em Belo Horizonte

A Polícia Federal deflagrou a décima fase da Operação Overclean, que apura um esquema de fraudes em licitações na Prefeitura de Belo Horizonte. O foco principal da ação desta quinta-feira (17) é o empresário José Marcos de Moura, conhecido como o “Rei do Lixo”, suspeito de ser o líder do esquema. A investigação aponta para o direcionamento de contratos que, somados, ultrapassam R$ 80 milhões, envolvendo o fornecimento de serviços e materiais didáticos entre 2024 e 2025.

Além de José Marcos de Moura, um dos alvos da operação é Bruno Oitaven Barral, ex-secretário de Educação de Belo Horizonte, que é suspeito de ter direcionado as licitações para o grupo do “Rei do Lixo”. Barral já havia trabalhado na gestão de ACM Neto na Prefeitura de Salvador, o que gerou o pedido de busca contra o candidato baiano.

ACM Neto nega envolvimento e critica “vazamentos seletivos”

Em resposta à notícia sobre o pedido de busca da Polícia Federal, ACM Neto divulgou uma nota afirmando que se trata de “uma nova tentativa de influenciar na eleição da Bahia” por meio de “vazamentos seletivos”. O candidato ressaltou que a Operação Overclean, iniciada em dezembro de 2024, nunca apresentou qualquer indício de conduta ilícita que o ligasse aos fatos investigados.

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“Não houve justamente porque não tenho nenhuma relação com qualquer dos fatos que estão sendo investigados”, declarou ACM Neto. Ele acrescentou que a “inconsistência dessas insinuações foi confirmada pela decisão do STF, que indeferiu o pedido formulado na representação”. O candidato afirmou que seguirá sua campanha normalmente, divulgando suas propostas e dialogando com a população.

Ligação com o “Rei do Lixo” e conversas telefônicas sob escrutínio

A investigação da Polícia Federal aponta que ACM Neto teria conversado por telefone mais de 200 vezes com o empresário José Marcos de Moura, o “Rei do Lixo”, entre agosto e dezembro de 2024. Uma dessas conversas teria ocorrido em uma data em que o grupo do empresário teria transportado malas com cerca de R$ 5 milhões em Salvador. ACM Neto é vice-presidente do União Brasil.

As ações da Operação Overclean, desde sua deflagração em dezembro de 2024, já resultaram em apreensões de dinheiro em situações inusitadas, como malas escondidas em botas, e atingiram prefeitos, deputados e servidores públicos. A investigação apura crimes contra a administração pública, fraudes em licitações, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Decisão de Kassio Nunes Marques reforça argumento de inocência

Pessoas com acesso à investigação indicam que o ministro Kassio Nunes Marques não vislumbrou, na época do pedido, justificativas para medidas mais drásticas, como o afastamento de outros gestores públicos já investigados, e tampouco indícios que ligassem diretamente ACM Neto ao caso. A decisão do STF em negar a busca contra o candidato baiano reforça a sua argumentação de que não possui qualquer vínculo com as irregularidades investigadas pela Polícia Federal.

A operação cumpre, ao todo, 24 mandados de busca e apreensão em estados como Minas Gerais, Bahia, São Paulo, Tocantins, Paraná e Espírito Santo. O valor total dos contratos sob investigação ultrapassa R$ 80 milhões, com outros processos de contratação também sendo analisados pela corporação. A defesa de José Marcos de Moura e de Bruno Oitaven Barral não se manifestou até o momento.

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