Exercício militar iraniano no Estreito de Ormuz intensifica expectativas para negociações nucleares com os EUA em Genebra

Um novo exercício militar conduzido pela Guarda Revolucionária Islâmica no estratégico Estreito de Ormuz acende o alerta global nesta segunda-feira (16). A manobra ocorre na véspera da retomada das negociações nucleares entre o Irã e os Estados Unidos, marcadas para esta terça-feira (17) em Genebra, na Suíça.

A Marinha da Guarda Revolucionária, braço militar mais forte do regime Khamenei, declarou que os exercícios visam testar a prontidão diante de “possíveis ameaças de segurança e militares”, segundo informações da agência de notícias iraniana Tasnim. Esta é a segunda vez que o Irã realiza tal demonstração de força na região em meio à crescente tensão com os EUA.

O Estreito de Ormuz é uma via marítima vital, por onde transita cerca de 30% do volume mundial de petróleo, tornando qualquer atividade militar na área um ponto sensível nas relações internacionais. O aumento da tensão na região é acompanhado de perto por potências globais e pelo mercado de energia, à medida que as negociações nucleares buscam um desfecho.

Tensão em Ormuz e o Contexto das Negociações Nucleares

Os exercícios militares no Estreito de Ormuz são vistos como um fator que pode escalar ainda mais as tensões entre Irã e Estados Unidos. A região é de suma importância estratégica e econômica, e demonstrações de força por parte da Guarda Revolucionária têm histórico de elevar o nível de alerta.

Exercícios anteriores, realizados entre o final de janeiro e o início de fevereiro, já haviam intensificado o clima de confronto. Naquela ocasião, o Irã testou a reação americana em incidentes separados, incluindo a interceptação de um drone e a tentativa de abordarem um petroleiro dos EUA. A presença de dezenas de navios de guerra americanos na região, enviados para um eventual ataque, adiciona um elemento de perigo à situação.

Diferenças Profundas Marcam o Caminho para um Acordo

Apesar do otimismo declarado após a primeira rodada de negociações em Omã no dia 6 de fevereiro, onde o chanceler iraniano Abbas Araqchi descreveu a atmosfera como “muito positiva”, as diferenças entre Washington e Teerã permanecem significativas. Os Estados Unidos exigem o fim dos programas nuclear e de mísseis iranianos, além da cessação do apoio a grupos armados na região.

Em contrapartida, o regime Khamenei afirma que as negociações se limitarão ao programa nuclear. A principal autoridade nuclear iraniana indicou, nesta semana, a disposição do país em diluir seu estoque de urânio enriquecido a 60% – atualmente em cerca de 440 kg, segundo a AIEA – em troca do fim das sanções internacionais.

Trump Alterna Ameaças e Sinais de Esperança em Relação ao Irã

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem mantido uma postura ambígua em relação ao Irã, alternando entre sinais de esperança por um acordo e ameaças diretas ao regime. Na semana passada, Trump alertou sobre “medidas muito duras” caso as negociações falhem.

Para reforçar a pressão militar, os EUA enviaram o porta-aviões USS Gerald Ford para a região, que se soma ao grupo de ataque do USS Abraham Lincoln já posicionado. A movimentação de forças militares, combinada com as negociações em Genebra, adiciona uma camada de complexidade e apreensão ao cenário diplomático.