Indígenas Korubo de Recente Contato Vistos em Rio no AM: Especialistas Alertam Sobre Riscos de Proximidade e Medidas de Proteção
Um grupo de indígenas da etnia Korubo, conhecido por ser de recente contato com a sociedade, foi avistado navegando em um rio próximo à cidade de Atalaia do Norte, no interior do Amazonas. A presença do grupo em uma área acessível a comunidades ribeirinhas gerou preocupação entre os moradores locais.
Especialistas e organizações de defesa dos direitos indígenas ressaltam a necessidade de evitar qualquer tipo de aproximação, visando proteger tanto os indígenas quanto a política brasileira de respeito a povos isolados e de recente contato. A situação exige cautela e a colaboração de todos para garantir a segurança e a integridade desses grupos.
Um vídeo gravado por uma moradora registrou o momento em que os indígenas se deslocavam em embarcações, com pessoas gritando ao fundo. Na gravação, a moradora pedia apoio às autoridades responsáveis pela proteção dos povos indígenas, expressando medo devido a relatos de que o grupo estaria agressivo. Conforme informação divulgada pelo g1, até o momento, não há registro de contato físico ou incidentes graves, nem informações sobre o que motivou a aproximação do grupo.
Alerta de Especialistas e Política de Não Contato
O Observatório dos Direitos Humanos dos Povos Indígenas Isolados e de Recente Contato (Opi) esclareceu que os Korubo vistos no vídeo não pertencem a um grupo totalmente isolado, mas sim de recente contato, com relações estabelecidas com a sociedade desde a década de 1990. A organização enfatizou que esses indígenas têm se deslocado com mais frequência entre a Terra Indígena Vale do Javari e Atalaia do Norte, muitas vezes estimulados pelo próprio poder público municipal.
O Opi destacou a importância de as comunidades do entorno compreenderem as diferenças culturais e de costumes significativas desses povos, alertando que tais distinções não devem ser interpretadas como ameaças. A Frente de Proteção Etnoambiental do Vale do Javari, unidade da Funai responsável pela região, já está atuando para mediar o diálogo entre os Korubo e os moradores não indígenas.
Recomendações para Evitar Riscos
Henrique dos Santos Pereira, diretor do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), reforçou a necessidade de extrema cautela em situações como essa. Ele aconselhou a população a evitar qualquer interação com os indígenas, incluindo a oferta de alimentos, tentativas de fotografias a curta distância ou a divulgação da localização exata do grupo.
“Não deve haver oferta de alimentos, fotografias a curta distância ou qualquer tentativa de interação. Também é importante que a localização exata não seja amplamente divulgada, pois isso pode atrair curiosos, pescadores, caçadores ou outros grupos, aumentando os riscos”, explicou Santos Pereira. Ele acrescentou que, em caso de avistamentos, a conduta correta é comunicar imediatamente a Funai.
Terra Indígena Vale do Javari e a Proteção dos Povos Originários
Os Korubo pertencem à família linguística Pano e habitam a Terra Indígena Vale do Javari, um território de mais de 8,5 milhões de hectares que abriga a maior concentração de povos indígenas isolados e de recente contato do mundo. Essa região é um exemplo da rica diversidade cultural e da importância da preservação dos modos de vida tradicionais.
Embora alguns grupos Korubo mantenham contato com a sociedade brasileira desde os anos 1990, outros permanecem em isolamento voluntário ou com contato restrito, dependendo da floresta para sua subsistência através da caça, pesca, coleta e agricultura de subsistência. A história da região também é marcada por invasões e violências contra os povos indígenas.
O monitoramento da Terra Indígena Vale do Javari é uma ação conjunta da Funai com a União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja), com o objetivo de impedir invasões, evitar contatos não autorizados e proteger os povos originários que ali vivem.