Ibama Notifica Propriedades Rurais no Amazonas para Prevenir Queimadas Criminosas
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) tomou uma medida preventiva crucial ao notificar 725 propriedades rurais no Amazonas. Estas propriedades foram identificadas como de alto risco para a propagação de incêndios, uma ação que visa antecipar e conter o avanço das queimadas no estado, especialmente em um período de estiagem acentuada.
Atualmente, equipes do Ibama estão realizando vistorias in loco para verificar o cumprimento das determinações de controle do fogo. Parte dos proprietários já foi autuada por descumprimento, demonstrando o rigor da operação.
A ação faz parte de uma força-tarefa integrada, com foco em municípios como Autazes, Careiro da Várzea, Parintins e Itacoatiara. Estas regiões são consideradas críticas e são apontadas como as principais fontes da fumaça que afeta a saúde dos moradores de Manaus, conforme informações divulgadas pelo Ibama.
Origem Humana e Criminosa das Queimadas no Amazonas
Segundo o presidente do Ibama, Jair Schmitt, as queimadas no Amazonas, mesmo em cenários de seca como o atual, provocado pelo El Niño, não têm origem natural. Ele enfatiza que a grande maioria dos incêndios é de origem humana, muitas vezes com intenção criminosa.
“Alguém colocou fogo por várias razões. E uma dessas razões é a intenção criminosa de colocar fogo na floresta para poder degradar e consolidar áreas desmatadas, em grande parte utilizadas para a pecuária ou outros fins”, explicou Schmitt. A estratégia visa degradar a vegetação nativa para facilitar a conversão em pasto ou lavoura e consolidar o desmatamento ilegal.
Operação de Combate e Repressão ao Fogo Conta com Recursos Aéreos
Entre junho e outubro deste ano, o Ibama informou que 292 incêndios foram extintos no Amazonas, com oito focos ainda ativos. Para combater o fogo, 11 aeronaves foram mobilizadas, incluindo seis aviões Air Tractor, um cargueiro KC-390 da Força Aérea Brasileira (FAB), três helicópteros e um avião Caravan. Cada aeronave desempenha um papel específico, desde o lançamento de água até o apoio logístico e transporte de brigadistas.
As aeronaves estão distribuídas em regiões estratégicas, como Manaus, Autazes, Itacoatiara e Parintins, com uma base de apoio aéreo em Itacoatiara para otimizar as operações. Mais de 130 brigadistas atuam diretamente no combate aos focos de incêndio.
Ministro Vê Indícios de Incêndios Criminosos em Áreas Preservadas
O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, sobrevoou áreas atingidas e declarou que a situação era mais grave do que o esperado. Ele observou muitos focos de incêndio no meio da floresta preservada, indicando ação humana intencional.
“Nós identificamos muitos focos de incêndio no meio da floresta preservada. Não se trata apenas daquele fogo que foi colocado na pastagem e adentrou a floresta”, afirmou Capobianco. Ele solicitou o apoio da Polícia Militar do Amazonas para auxiliar o Corpo de Bombeiros na identificação dos responsáveis pelos incêndios.
Manaus em Estado de Atenção e Reconhecimento de Emergência
Manaus encontra-se em estado de atenção, classificação adotada pela prefeitura quando há previsão de eventos de alto impacto. Além disso, 36 municípios do Amazonas tiveram a situação de emergência reconhecida pelo Governo Federal, permitindo a atuação integrada das forças de resposta e o repasse de recursos. O reconhecimento facilita o combate aos incêndios e o atendimento humanitário às populações afetadas.
As sanções para quem provocar incêndios florestais são rigorosas, incluindo multas que variam de R$ 5 mil a R$ 10 mil por hectare, interdição das terras, perda de bens e até mesmo pena de reclusão para os responsáveis.