A trend viral no TikTok que expõe a masculinidade tóxica e a violência de gênero no Brasil.
A escalada de crimes contra as mulheres no Brasil tem sido alarmante, e um recente episódio no TikTok chocou o país. Homens simularam reações violentas a uma negativa feminina em um pedido de casamento, ensaiando agressões como socos, facadas e tiros.
Este comportamento, classificado como caso de polícia, é um sintoma de problemas profundos e arraigados na sociedade. A violência contra a mulher, que culmina em estupro e feminicídio, tem raízes históricas e culturais, ligadas à misoginia presente em diversas esferas, inclusive religiosas.
É fundamental que homens encarem sua responsabilidade nesse cenário. Não somos nós que tememos ser vítimas de estupro ou agressão, mas sim aqueles que praticam tais atos. A consciência dessa realidade é o primeiro passo para a mudança, e conforme apontado em discussões recentes, há um movimento crescente entre homens para intervir nessa cultura de violência.
A masculinidade tóxica e suas raízes históricas
A violência contra a mulher é descrita como uma ancestralidade do mal, com raízes milenares em fluxos culturais, biológicos e psíquicos. A misoginia, inclusive, está presente no cerne religioso do Ocidente, como evidencia o papel submisso e ameaçador da mulher na ordem moral e institucional da Igreja Católica.
Para os homens, este contexto é complexo. A percepção de que não são eles os potenciais vítimas de estupro ou agressão, mas sim os perpetradores, é um ponto crucial. Embora nem todos os homens incorram em tais atos, a cultura que os normaliza está presente e é familiar.
O papel dos homens na luta contra a violência de gênero
Ao observar vídeos como os da trend do TikTok, a maioria dos homens conscientes reconhece que tais comportamentos não são alheios à sua realidade. Muitos já tiveram contato, direto ou indireto, com essa cultura de violência ou com pessoas que poderiam participar dela.
Há um movimento, ainda que restrito, de homens buscando interferir nessa situação. O repúdio a essas atitudes, mesmo que acompanhado de desconforto, é um sinal de que a mudança é possível. Não basta apenas se convencer de que se está fora desse grupo ou se considerar “progressista”; é preciso ação.
A empatia como ferramenta contra a misoginia
O historiador Fred Coelho, professor da PUC-RJ, compartilhou uma reflexão tocante sobre ser pai de duas filhas adolescentes em um mundo violento e misógino. Ele ressalta a necessidade de prepará-las para um ambiente hostil à liberdade existencial.
A convivência com casos como o estupro coletivo de uma jovem de 17 anos em Copacabana aprofunda essa tristeza cotidiana. Coelho compara essa situação à necessidade de pais ensinarem a seus filhos negros que sua cor de pele os torna potenciais vítimas de crimes.
Um chamado à ação e à empatia masculina
Essa reflexão demonstra um recado de empatia, impulsionado pelo sentimento paternal, mas que se estende a todos. É um impulso genuíno, de um homem branco heterossexual, para se colocar no lugar do outro e reconhecer o drama humano a ser enfrentado. Precisamos urgentemente dessa capacidade de nos colocarmos no lugar do outro.
A violência de gênero é um problema que afeta toda a sociedade, e a responsabilidade de combatê-la é coletiva. Os homens, em particular, precisam assumir um papel ativo na desconstrução da masculinidade tóxica e na promoção de uma cultura de respeito e igualdade.