Trump desafia lei americana e mantém tensão com o Irã, sem aval do Congresso, enquanto o mundo observa o impacto econômico

O prazo para que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, buscasse autorização do Congresso para continuar o conflito no Oriente Médio expirou nesta sexta-feira (1º). No entanto, a administração Trump já sinalizou que ignorará essa exigência legal, indicando a possibilidade de novos ataques contra o Irã com o objetivo de forçar negociações.

Essa decisão reacende as tensões na região, com o Irã prometendo uma reação “dolorosa e prolongada”. A situação, que já resultou em milhares de mortos, especialmente no Irã e Líbano, coloca o mundo em alerta quanto a uma potencial escalada militar com graves consequências econômicas globais.

A Constituição americana confere ao Congresso o poder de declarar guerra. Contudo, uma lei de 1973 permite ao presidente iniciar intervenções militares limitadas em situações de emergência. Se o envolvimento de tropas ultrapassar 60 dias, a autorização legislativa se torna obrigatória. Conforme informação divulgada pelo governo americano, o prazo de 60 dias estaria suspenso devido a um cessar-fogo. “As hostilidades iniciadas no sábado, 28 de fevereiro, terminaram”, afirmou um alto funcionário do governo americano, acrescentando que não houve troca de tiros entre os EUA e o Irã desde 7 de abril, data em que o cessar-fogo entrou em vigor.

Impasse nas negociações e o fantasma da guerra prolongada

Apesar da trégua e das primeiras conversas realizadas em Islamabad em 11 de abril, as negociações de paz entre Estados Unidos e Irã parecem estar em um beco sem saída. O líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, declarou que os EUA sofreram uma “derrota vergonhosa”, enquanto o presidente iraniano, Massoud Pezeshkian, denunciou o bloqueio americano como uma “extensão das operações militares”.

Em Teerã, sistemas de defesa antiaérea foram ativados na noite de quinta-feira (30) contra drones e aeronaves não identificadas, segundo agências locais. A defesa antiaérea respondeu por cerca de 20 minutos, retornando a situação à normalidade. A guerra, até o momento, deixou milhares de mortos, com um impacto significativo no Irã e no Líbano.

Bloqueio de Ormuz e o colapso econômico global

Enquanto as discussões diplomáticas patinam, os efeitos do bloqueio do Estreito de Ormuz pela Marinha americana se fazem sentir cada vez mais na economia mundial. A escassez gradual de diversos produtos, pressões inflacionárias e revisões para baixo do crescimento global são consequências diretas dessa medida. Antes do conflito, um quinto dos hidrocarbonetos consumidos no mundo transitava por essa passagem estratégica.

O duplo bloqueio, com o Irã também bloqueando o estreito, fez os preços do petróleo dispararem. Um alto funcionário americano mencionou a possibilidade de uma prorrogação dessa medida por “meses”. Na quinta-feira, o barril de Brent, referência mundial do petróleo, ultrapassou brevemente os US$ 126, atingindo o maior nível desde o início de 2022.

ONU alerta para o estrangulamento econômico e a urgência do diálogo

O secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou para o “estrangulamento” da economia global devido à paralisação do Estreito de Ormuz. Ele enfatizou a necessidade urgente de diálogo e soluções pacíficas. “Agora é o momento do diálogo, de soluções que nos afastem da beira do abismo e de medidas capazes de abrir um caminho para a paz”, defendeu em sua plataforma X.

Frente libanesa em chamas: ataques israelenses e apelo por paz

No Líbano, a situação é igualmente tensa. Novos ataques israelenses no sul do país deixaram pelo menos 17 mortos na quinta-feira. A embaixada americana em Beirute solicitou uma reunião entre o presidente libanês e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, considerando o Líbano “em um ponto de inflexão”. Desde o início de março, as operações de Israel contra o movimento Hezbollah deixaram mais de 2.500 mortos e mais de um milhão de deslocados no Líbano.