A Guarda Revolucionária do Irã: Entenda a Força de Elite Que Molda a Política Regional e é Vista Como Terrorista por Potências Mundiais
A Guarda Revolucionária do Irã, conhecida internacionalmente como IRGC (Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica), é uma força militar de elite com um papel crucial na defesa do regime iraniano e na projeção de seu poder no Oriente Médio.
Sua influência se estende para além das fronteiras do Irã, apoiando grupos armados e ideologicamente alinhados, o que a levou a ser classificada como organização terrorista por países como os Estados Unidos e, mais recentemente, pela União Europeia.
A atuação da IRGC é complexa, abrangendo desde a segurança interna até operações militares no exterior, além de uma forte presença na economia iraniana. Conforme informação divulgada pela União Europeia, a organização foi incluída em sua lista de entidades terroristas em janeiro de 2026, uma resposta direta à violenta repressão a protestos no país.
Origens e Missão da Guarda Revolucionária
A Guarda Revolucionária foi criada em 1979, logo após a Revolução Iraniana, com o objetivo principal de proteger o recém-estabelecido regime clerical xiita. Sua formação visava também criar um contrapeso às forças armadas convencionais, que poderiam ter lealdades divididas.
Inicialmente focada em questões domésticas, a IRGC expandiu suas capacidades significativamente após a invasão do Irã pelo Iraque em 1980. Sob o comando do Aiatolá Ruhollah Khomeini, o grupo ganhou suas próprias forças terrestres, navais e aéreas, consolidando seu poder.
Atualmente, a instituição faz parte das Forças Armadas do Irã e responde diretamente ao Líder Supremo, Ali Khamenei. Embora não haja números oficiais, estima-se que a IRGC conte com cerca de 125 mil homens, segundo o Instituto Internacional para Estudos Estratégicos.
Estrutura e Poder da IRGC
A Guarda Revolucionária é considerada o pilar mais forte da liderança iraniana. Ela possui suas próprias tropas para o Exército, Marinha e Força Aérea, além de unidades especiais para missões internacionais e a milícia paramilitar Basij.
A Basij, composta por voluntários, desempenha um papel fundamental na vigilância de mesquitas e na repressão a civis que se opõem ao regime. A IRGC também mantém um exército cibernético e um serviço secreto próprio, que opera independentemente da inteligência governamental e reporta diretamente a Khamenei.
Reconhecimento Internacional como Organização Terrorista
A designação da IRGC como organização terrorista não é nova. Os Estados Unidos a classificaram como tal em 2019, durante o governo de Donald Trump. O Canadá seguiu o exemplo em 2024, e a Austrália em 2025, após um ataque a uma sinagoga em Melbourne atribuído à Guarda Revolucionária.
Na União Europeia, a lista de organizações terroristas incluía apenas alguns oficiais de alto escalão da IRGC. No entanto, após a violenta repressão aos protestos recentes, o bloco europeu tem se inclinado a adotar uma medida mais ampla. Conforme destacado pela chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, “Quando se age como terrorista, deve-se ser tratado como terrorista”.
Paulo Casaca, fundador do South Asia Democratic Forum, afirmou em 2019 que a Guarda Revolucionária “foi criada como uma ferramenta para promover a jihad em todo o mundo” e é o “principal instrumento armado para os abusos do regime”.
Influência Econômica e Atuação no Exterior
Nas últimas décadas, a Guarda Revolucionária expandiu drasticamente sua influência na economia iraniana. O conglomerado Khatam-al-Anbia, por exemplo, é controlado pela IRGC e está envolvido em diversos projetos de infraestrutura e investimentos estratégicos, desde a construção de estradas e ferrovias até a atuação nos setores de gás, petróleo, mineração e farmacêutico.
A Brigada Quds da Guarda Revolucionária é responsável pelas operações no exterior, apoiando grupos como o Hezbollah no Líbano, os Houthis no Iêmen, o Hamas na Faixa de Gaza e forças xiitas no Iraque, além de apoiar o regime de Bashar al-Assad na Síria. Essa rede informal, conhecida como “Eixo da Resistência”, une o Irã a diversos grupos que se opõem à influência dos Estados Unidos e de Israel na região.
A relação de conflito entre Irã e Israel se intensificou em 2024, com ataques diretos entre os dois países, após anos de guerra indireta. Um ataque israelense em junho de 2025 resultou na morte de Hossein Salami, chefe da Guarda Revolucionária iraniana desde 2019.