Greve na Argentina afeta aeroportos brasileiros e aumenta tensão sobre reforma trabalhista de Milei

A greve geral deflagrada na Argentina nesta quinta-feira (19) já causa reflexos diretos no Brasil, com o cancelamento de voos no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo. A paralisação foi convocada pela Confederação Geral do Trabalho (CGT) em protesto contra a reforma trabalhista proposta pelo governo de Javier Milei.

Pelo menos dois voos da Latam e diversas operações da Gol que tinham como destino a Argentina foram suspensos, afetando centenas de passageiros. A CGT, maior central sindical do país, iniciou a greve à meia-noite, em resposta ao início das discussões do projeto na Câmara dos Deputados.

A medida, que paralisa atividades aeroportuárias em diversas cidades argentinas, como Buenos Aires, Córdoba e Rosário, é um forte indicativo da resistência à agenda econômica de Milei. O governo, por sua vez, adota uma postura de alerta, determinando “medidas de segurança” para a imprensa e advertindo sobre possíveis confrontos em protestos esperados. As informações são do portal g1.

Impacto nos voos e declarações das companhias aéreas

A Latam, por meio de nota, informou que precisou alterar sua operação de/e para a Argentina devido à greve geral, citando a adesão dos sindicatos que representam os trabalhadores da Intercargo, empresa responsável pelos serviços de rampa nos aeroportos argentinos. A Gol também confirmou o cancelamento de voos, explicando que a paralisação impossibilitará todas as operações aeroportuárias nas cidades argentinas programadas para a data.

Reforma Trabalhista: O Cerne da Disputa

A greve geral é um reflexo direto da tramitação da reforma trabalhista no Congresso argentino. O projeto, que já foi aprovado no Senado, busca modernizar leis que datam dos anos 1970 e visa **reduzir custos trabalhistas** e **estimular a formalização do emprego**, um ponto crucial em um país com alta informalidade. Especialistas ouvidos pelo g1 apontam que a reforma é ampla e faz parte de um pacote maior de mudanças estruturais.

Entre as principais mudanças propostas estão a flexibilização de contratos de trabalho, modificações nas regras de férias e jornada, e a facilitação de demissões. A reforma também busca impor limites a greves em setores essenciais, exigindo um percentual mínimo de prestação de serviço. Outros pontos incluem a ampliação do período de experiência, mudanças na negociação coletiva e alterações nas indenizações por demissão.

Tensão política e histórico de protestos

O governo Milei tem adotado uma postura firme diante das manifestações. A determinação de “medidas de segurança” para a imprensa e advertências sobre “risco” em protestos indicam um clima de tensão. Na semana anterior, manifestações nas imediações do Congresso terminaram em confrontos com a polícia, com cerca de trinta detidos. A expectativa é que a reforma seja votada no plenário da Câmara ainda este mês.

Dados sobre o mercado de trabalho argentino

Segundo dados da Pesquisa Permanente de Domicílios (EPH) do Indec, referentes ao terceiro trimestre de 2025, a Argentina contava com 13,6 milhões de pessoas ocupadas e aproximadamente 1 milhão de desempregados, resultando em uma taxa de desocupação de 6,6%. A reforma trabalhista busca justamente combater a informalidade, que atinge cerca de 40% dos trabalhadores no país.