Greve Geral na Argentina Afeta Voos para o Brasil e Tensão Aumenta com Restrições à Imprensa
Uma greve geral convocada na Argentina contra a reforma trabalhista do presidente Javier Milei causou o cancelamento de diversos voos entre o país vizinho e o Brasil. A paralisação, que teve início à meia-noite desta quinta-feira, já impactou o Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, com a suspensão de voos para Buenos Aires.
A medida, liderada pela Confederação Geral do Trabalho (CGT), visa protestar contra as mudanças propostas por Milei na legislação trabalhista, que o Senado já aprovou e a Câmara dos Deputados começa a debater. A situação é agravada por um comunicado incomum do governo argentino, que determinou “medidas de segurança” para a imprensa cobrir os protestos esperados.
Companhias aéreas como a Latam e a Gol já confirmaram o cancelamento de voos, pedindo aos passageiros que verifiquem o status de suas viagens. A reforma trabalhista, considerada uma das maiores mudanças em décadas, busca flexibilizar contratos, reduzir custos e estimular o emprego, mas enfrenta forte oposição sindical. Conforme informações divulgadas pelo g1, a expectativa do governo é que o projeto seja votado na Câmara até o início de março.
Impacto nos Voos e Recomendações aos Passageiros
A greve geral na Argentina teve reflexos diretos nas conexões aéreas com o Brasil. Pelo menos dois voos da Latam que partiriam de Guarulhos para Buenos Aires nesta quinta-feira foram cancelados, segundo o painel do aeroporto. A Gol também confirmou a necessidade de cancelar suas operações. A Latam informou em nota que “alguns voos poderão operar com alteração de horário e/ou data, sem necessariamente serem cancelados” e recomendou aos passageiros que “verifiquem o status de seus voos antes de se dirigir ao aeroporto”.
Reforma Trabalhista: Pontos Chave e Controvérsias
O projeto de reforma trabalhista enviado por Javier Milei ao Congresso argentino é amplo e visa modernizar a legislação, que em grande parte remonta aos anos 1970. Especialistas ouvidos pelo g1 apontam que a reforma faz parte de um pacote maior de mudanças estruturais para estabilizar a economia e estimular o emprego e o investimento. Entre as principais mudanças propostas estão a flexibilização de férias, a ampliação do período de experiência para até 12 meses, e a flexibilização da jornada de trabalho para até 12 horas diárias, com compensação de horas.
A proposta também busca alterar regras de indenizações e demissões, com a possibilidade de pagamento parcelado. Outro ponto de destaque é a restrição a greves em setores considerados essenciais, exigindo um mínimo de prestação de serviço. A reforma também visa combater a informalidade, eliminando multas por falta de registro trabalhista e criando mecanismos de regularização.
Governo Milei Impõe Restrições à Imprensa em Meio a Protestos
Em meio à greve geral e à expectativa de protestos nos arredores do Congresso, o governo de Javier Milei adotou medidas incomuns em relação à imprensa. O Ministério da Segurança argentino emitiu um comunicado recomendando à imprensa que siga “medidas de segurança” e evite se posicionar entre potenciais focos de violência e as forças de segurança. A pasta advertiu para “situações de risco” e informou que os meios de comunicação terão uma “zona exclusiva” em ruas laterais à praça em frente ao Parlamento.
Na quarta-feira anterior, manifestações nas proximidades do Congresso durante o debate da reforma no Senado terminaram em confrontos com a polícia e cerca de trinta detidos. A CGT, maior central sindical do país, não chancelou oficialmente as ondas de protesto que também são esperadas, além da greve geral.
Contexto Econômico e Estatísticas de Emprego
A reforma trabalhista se insere em um contexto de busca por estabilização macroeconômica na Argentina. Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística e Censos da Argentina (Indec), referentes ao terceiro trimestre de 2025, o país contava com 13,6 milhões de pessoas ocupadas e cerca de 1 milhão de desempregados, o que representava uma taxa de desocupação de 6,6%. A proposta do governo Milei visa, em parte, reduzir a informalidade no mercado de trabalho, que atinge cerca de 40% dos trabalhadores.